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Homem que fez exaltar Costa foi autarca do CDS-PP. Partido rejeita "insinuações"

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O homem que abordou António Costa em Lisboa, dizendo-se eleitor "relutante" do PS, é um ex-autarca pelo CDS-PP chamado Joaquim Elias. CDS-PP recusa "veementemente" as "calúnias"

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O homem que abordou António Costa em Lisboa, dizendo-se eleitor “relutante” do PS, é um ex-autarca pelo CDS-PP chamado Joaquim Elias. E um filho, com o mesmo nome, é assessor da assembleia municipal pelo CDS-PP. O CDS-PP já confirmou que se trata de alguém com ligações ao partido mas garante que deixou “há muito tempo” de ser militante do partido liderado por Assunção Cristas.

O diretor de campanha do CDS-PP, João Gonçalves Pereira, contactado pelo Observador, garante, no entanto, que o partido não tem absolutamente nada a ver com o incidente desta sexta-feira. “É uma mentira e uma calúnia de uma quarta ou quinta linha do PS destinada a enlamear a campanha e a desviar as atenções de mais um episódio de exaltação do primeiro-ministro, António Costa”, acrescenta.

O partido centrista divulgou, entretanto, um comunicado “rejeitando e repudiando veementemente qualquer insinuação” de que o partido teria orquestrado o incidente. “Se algum partido ou líder quer desculpar uma atitude menos reflectida, não procure no CDS uma justificação para o que é injustificável”, atira o CDS-PP.

1. Soubemos pela comunicação social que o homem que questionou esta tarde António Costa estava ligado ao CDS. De imediato averiguamos. Perante a gravidade e dimensão do ataque proferido ao CDS por vários dirigentes do PS nas redes sociais, esta nota é exigível, mesmo estando já encerrada a nossa campanha.

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2. O CDS rejeita e repudia veementemente qualquer tipo de insinuação de que teríamos montado o incidente, como infelizmente temos visto da parte de dirigentes do PS.

3. Confirmamos que há anos o senhor foi autarca do CDS numa Junta de Freguesia. Esclarecemos que a sua atuação não teve qualquer ligação, instrução ou articulação com o partido, que a ela é completamente alheio. Não criámos qualquer situação, não tivemos qualquer conhecimento nem fomos coniventes.

4. Rejeitamos e repudiamos qualquer acto de agressão, física ou verbal, em qualquer circunstância e mais ainda em período de campanha eleitoral, como de resto foi referido pela Presidente do CDS durante a campanha, ela própria alvo de vários ataques verbais e um também físico.

5. Se algum partido ou líder quer desculpar uma atitude menos reflectida, não procure no CDS uma justificação para o que é injustificável. Depois de uma atitude desproporcionada, António Costa decidiu acusar sem provas e de forma absolutamente reprovável um partido político fundador da democracia. Não vale tudo em campanha eleitoral. Nós honramos a herança que recebemos dos fundadores do nosso partido.

A informação tinha sido confirmada por várias fontes, incluindo Miguel Coelho, autarca do PS, que escreveu no Facebook que se tratava de Joaquim Elias, outrora eleito autarca pelo CDS-PP na antiga freguesia de São José.

O site do CDS-PP lista o comerciante Joaquim Gustavo Pinto dos Santos Elias como candidato efetivo nas eleições autárquicas de 2001, para a (então denominada) junta de freguesia de São José, mas como independente. Aliás, na mesma lista surge o nome do estudante Joaquim dos Santos Elias, que será o filho (sem a referência a ser independente).

Contactado pelo Observador, Miguel Coelho garantiu que, além de ter reconhecido o homem, confirmou junto de outras pessoas mais antigas no poder autárquico que se trata mesmo do homem que dizia que em sua casa havia cinco pessoas a votar, normalmente, no PS. A mesma informação, de que é Joaquim Elias, foi confirmada ao Observador por uma outra fonte com experiência autárquica que preferiu não ser identificada.

O PS informou, entretanto, que vai avançar uma queixa-crime por difamação contra o autor das afirmações dirigidas ao primeiro-ministro – identificado pelo autarca socialista Miguel Coelho como sendo Joaquim Elias – bem como “contra terceiros”.

O candidato socialista foi esta sexta-feira abordado, no final da descida do Chiado, por um homem que o acusou de estar de férias na altura dos incêndios de 2017. Nesse momento, a conversa azedou e António Costa, visivelmente irritado, repetiu várias vezes que isso era uma mentira, acusando o homem de ser um “mentiroso, é um mentiroso, provocador”.

Quando o homem continuou a atirar a mesma acusação, o líder socialista acabou por voltar atrás e, de dedo em riste, acusou-o de estar a mentir. A comitiva acabou por ter de intervir para pôr fim à situação. Dois seguranças do Corpo de Segurança do primeiro-ministro, que o têm acompanhado nesta campanha, também chegaram a intervir para acalmar e fazer um cordão entre o candidato e o homem: “Calma, calma”.

Momentos mais tarde, António Costa viria a responsabilizar “a direita” — e, depois, mais especificamente o PSD CDS — pela “provocação”. Nas explicações que deu, minutos mais tarde, a outro grupo de jornalistas, já preferiu focar-se na falsidade da acusação de que teria estado de férias, advogando que “toda a gente tem um limite”.

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