Mark Zuckerberg, o presidente executivo e cofundador do Facebook, vai prestar declarações no Congresso dos Estados Unidos da América a 23 de outubro. Segundo a informação avançada pelo comité de serviços financeiros dos EUA, “Zuckerberg vai ser a única testemunha numa audição chamada: “Uma análise ao Facebook e ao seu impacto nos setores de serviços financeiros e habitação”. Em causa, está a Libra (o nome é este também em inglês), a moeda digital que o Facebook anunciou querer criar e que já foi apelidada por políticos como “uma ameaça ao dólar”.

Nos últimos meses, a aposta do Facebook numa moeda para fazer frente às Bitcoin tem encontrado bastante obstáculos. Inicialmente, foi anunciada como a solução monetária para o futuro e tinha o apoio de inúmeras empresas, incluído a Farfetch ou a Visa. Contudo, depois de os governos do ocidente começarem a levantar dúvidas quanto a este projeto e, mais recentemente, empresas financeiras digitais como a PayPal terem retirado o apoio inicialmente dado ao projeto, os planos de Zuckerberg começaram a cair por terra.

Esta é a segunda vez que Mark Zuckerberg vai prestar declarações ao órgão legislativo norte-americano. A primeira vez que foi ao Congresso aconteceu no seguimento da revelação do caso Cambridge Analytica, uma empresa de análise de dados que utilizou indevidamente 87 milhões de perfis da rede social. Ao todo, foi questionado por congressistas durante cerca de 10 horas. Passado pouco mais de um ano, o Facebook pagou uma coima multimilionária de cinco mil milhões de dólares (cerca de 4,5 mil milhões de euros) para fechar o caso.

O Facebook anunciou a criptomoeda Libra em junho. A rede social vai utilizar a tecnologia de encriptação para permitir efetuar transações virtuais entre pessoas e organizações sem intermediários. Além disso, criou uma subsidiária chamada “Calibra” para o investimento nesta moeda digital. A Calibra vai fazer parte da “Rede Libra”, a associação da criptomoeda que ainda conta com a participação de empresas como a Visa, a Vodafone, a Uber, o Ebay, o Spotify.

As criptomoedas são unidades de dinheiro digital que utilizam como base a tecnologia blockchain. Esta inovação tem gerado bastante interesse entre os investidores — e assustado a banca. Em 2018, a bitcoin, criptomoeda mais conhecida, bateu recordes, com os primeiros investidores a tornarem-se multimilionários. Depois, desceu a pique — mantendo, mesmo assim, uma valorização de cerca de dois mil euros — para, agora, ter subido novamente. Contudo, as quedas num espaço de horas de oscilação de valor desta moeda rondam, por vezes, os milhares de euros (uma bitcoin vale, atualmente, cerca de 7.800  euros, há um mês valia cerca de 8.770).