Jair Bolsonaro deverá romper com o seu atual partido, o Partido Social Liberal (PSL), e já recebeu cinco convites de outros partidos de pequena e média dimensão, disse a sua advogada, Karina Kufa, ao jornal O Globo esta terça-feira.

Segundo a advogada, o presidente brasileiro parece estar mais inclinado no sentido de aceitar o convite dos Republicanos, que até meados deste ano ainda se chamava Partido Republicano Brasileiro e é considerado, oficiosamente, o braço político da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), uma das mais influentes instituições evangélicas do país.

A IURD, cujo fundador e líder é o bispo Edir Macedo, é também proprietária do Grupo Record, que detém o segundo canal de televisão de maior audiência do Brasil — considerado simpatizante de Bolsonaro. De acordo com uma notícia de abril do portal UOL, nos três primeiros meses do ano, a Record passou a Globo e foi o grupo de comunicação que mais recebeu pagamentos de verbas publicitárias vindas do Estado central.

Macedo recebeu Bolsonaro no Templo de Salomão, a sede da IURD, em São Paulo, no passado dia 1 de setembro. O apoio declarado de Macedo a Bolsonaro nas vésperas das eleições de 2018 já fora considerado decisivo para o sucesso do então candidato pelo PSL.

A saída de Bolsonaro do PSL pode estar para breve, como admite Karina Kufa: “Vai depender da decisão política do Presidente [Bolsonaro]. Lá atrás, o Presidente [Bolsonaro] estava desgostoso com o partido e fiz um pedido para que tentasse a conciliação. Foi quando eu conversei com o vice-presidente [Antonio] Rueda, para negociar um acordo”.

A guerra do Presidente brasileiro é, sobretudo, com o presidente do PSL Luciano Bivar, e ficou clara na semana passada num episódio ocorrido em frente ao Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro reside. Enquanto tirava fotografias e gravava vídeos com apoiantes, o Presidente referiu-se a Bivar como um “cara” que “está queimado”.

Bivar reagiu à gravação ameaçando expulsar Bolsonaro do partido e dizendo que “ele já está esquecido”.

Como background da rutura está ainda a soma milionária do fundo partidário e eleitoral a que o PSL tem direito, como detentor de um Grupo Parlamentar de 52 deputados e três senadores. Bolsonaro e Bivar estão em confronto pelo controlo daquele fundo desde há algum rempo — e numa altura em que falta um ano para as eleições municipais de outubro de 2020.

A crise entre o Presidente e o partido envolve, ainda, alguns escândalos. O PSL é acusado de ter promovido candidaturas fantasma de mulheres, para cumprir a quota feminina e ter acesso ao fundo eleitoral correspondente. Soma-se a esse escândalo a decisão do Ministério Público brasileiro de constituir Marcelo Álvaro Antônio, o ministro do Turismo que dirigia o diretório de Minas Gerais do PSL, como arguido. Álvaro Antônio é um dos visados no escândalo das candidaturas fantasma.

Bolsonaro recusa demiti-lo, mas deixou cair um outro ministro, Gustavo Bebbiano, que presidiu o PSL durante a campanha presidencial e foi um dos seu principais braços direitos dos últimos anos, por causa do envolvimento em este e outros escândalos.

Caso Bolsonaro abandone o PSL e opte pelo Partido Republicano Brasileiro, ou outra força política, será o seu nono partido em cerca de 30 anos de carreira (uma contabilização que inclui mudanças de partido por fusões, extinções e criações de novos partidos em que Bolsonaro participou).