O tema que levava a Concertação Social a reunir-se com o Governo era a Europa, em especial o Brexit. Mas à saída nem todos falaram sobre o tema, ao passo que ninguém se escapou a tecer comentários sobre o novo elenco governativo. De modo geral há dois estados de alma que são transversais aos parceiros sociais: satisfação por ver a economia a ganhar peso no Governo — sobretudo por implicar uma descida do MInistério das Finanças na hierarquia — e voto de confiança no novo Executivo — mais do que “falar de rostos” é necessário analisar “as políticas”, foram repetindo.

É um sinal que registamos como positivo“, destacou António Saraiva, da CIP, que se mostrou agradado com a aposta do novo Executivo na Economia e com a passagem de Siza Vieira para número dois do novo Governo que António Costa apresentou na terça-feira ao Presidente da República. Apesar de ter ressalvado que o mais importante é que se discutam políticas, o presidente da CIP fez questão de registar o sinal político desta mudança. À boleia desta visão, pediu ainda mais ambição ao Governo nas políticas a adotar na próxima legislatura, de forma a melhorar os números que constam do esboço orçamental entregue a Bruxelas e que apontam para um crescimento de 2% e um défice zero já em 2020. “Não podemos olhar apenas para a média europeia, precisamos de estar acima da média“, pediu.

Na mesma tónica, Vieira Lopes, secretário-geral da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), salientou que “já durante a campanha” tinha pedido a António Costa “mais Siza Vieira e menos Centeno“. “Não por uma questão de rostos mas de prioridades“, matizou. Assim, tendo sido conferido mais destaque ao Ministro da Economia, que além de passar a número dois também passa a ser um dos quatro ministros de Estado, a CCP vê estas mudanças como “positivas”.

Da parte da Confederação do Turismo, o presidente Francisco Calheiros também mostrou a sua aprovação com esta alteração, sobretudo por a Secretaria de Estado do Turismo ser tutelada pelo Ministério da Economia. “O Ministério do Turismo é o Ministério da Economia”, lembrou, tentando fazer desta promoção de Siza Vieira uma promoção do setor turístico dentro do Executivo. Também houve, da parte de Calheiros, um voto de confiança para a nova Ministra do Trabalho, que tutelou precisamente a área do Turismo na última legislatura, Ana Mendes Godinho. “É uma promoção justa“, considerou.

Já a CAP considerou positivas as alterações mas preferiu deixar um aviso à nova Ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque: “Não vai ter tarefa fácil“, disse Luís Mira.

Da parte dos sindicatos houve sintonia na análise ao novo Governo. Do lado da UGT, a dirigente Paula Bernardo prefere esperar para ver. “Esperamos que haja da parte da nova ministra [do Trabalho] abertura para a Concertação Social”, pediu. Já Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, não dá demasiada importância às alterações governativas. “Mais do que pessoas o que importa são as políticas“, afirmou o representante sindical que aproveitou a oportunidade para anunciar o seu caderno de encargos: “revisitar a legislação laboral”.

Esta foi a última reunião da Comissão Permanente da Concertação Social do XXI Governo e, por conseguinte, a última em que Vieira da Silva participou como Ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social. A próxima, ainda sem data definida, acontecerá já com o novo elenco governativo empossado e com a nova titular da pasta, Ana Mendes Godinho.