Um mês depois de Gabriela Monteiro ter sido morta à frente do tribunal de Braga pelo marido, que confessou tê-la ferido com uma arma branca, o movimento “Mulheres de Braga” anuncia uma manifestação no domingo “pelas outras Gabrielas”.

O grupo surgiu dias depois da vigília organizada na própria noite pelo Theatro Circo, local onde a vítima trabalhava. Gabriela “não é que se tenha tornado um símbolo, mas foi o pavio”, explica Emília Santos, porta-voz do “Mulheres de Braga”.

Uma semana depois da morte de Gabriela, o grupo reuniu mais de uma centena de mulheres na segunda vigília em Braga em homenagem à vítima. Com o objetivo de “as mulheres partilharem as suas histórias e desabafarem”, o crescimento foi rápido. Em quatro dias, tinham já reunido mais de sete mil mulheres na página de Facebook. Hoje, passado um mês, são mais de 14 mil as mulheres de todo o país que o compõem.

Primeiro era um cantinho para desabafos de mulheres que estão presas, que não conseguem falar com a família e têm-nos ali. Depois, como cresceu, decidimos iniciar um apoio mais formal, encaminhá-las com a ajuda das associações que se juntaram a nós”, reforça a porta-voz do movimento, Emília Santos.

No domingo são esperadas “bem mais” de uma centena de mulheres nas ruas de Braga. Emília garante que o grupo já conta com presenças confirmadas de pessoas vindas de várias cidades do país.

Nesse dia será também lançada uma petição para que alguns aspetos legislativos relacionados com violência doméstica sejam alterados. Emília Santos adiantou ao Observador que se pretende, por exemplo, introduzir nas escolas “uma disciplina obrigatória desde o pré-escolar, dada por alguém formado e especializado para os abusos sexuais e para as agressões”.

O movimento pretende igualmente que nas autarquias ou nos postos das forças policiais seja providenciado um gabinete de apoio à vítima 24 horas por dia com possibilidade de proteção imediata à vítima depois da queixa, dando como exemplo o mau funcionamento destas infraestruturas na cidade de Braga. “Geralmente os crimes acontecem à noite ou aos fins de semana e na Câmara de Braga não há ninguém para receber as vítimas”, acusa Emília Santos.