Cristiano Ronaldo concedeu uma grande entrevista à France Football e só isso acabou por tornar-se na notícia mais falada ao longo desta segunda-feira: de acordo com o Corriere dello Sport, a extensa delegação da revista francesa que se deslocou a Turim para fazer o referido trabalho e que acabou por ter um jantar “secreto” com o avançado e com Fabio Paratici, diretor desportivo da Juventus, pode ser um sinal de que o português está mais perto da Bola de Ouro de 2019, naquela que seria a sexta da carreira e que lhe permitiria tornar-se no jogador com mais troféus à frente de Lionel Messi, também ele com cinco e também ele na corrida ao galardão deste ano.

Se essas indicações serão ou não assim, só mesmo no dia 2 de dezembro se saberá – sendo que, a confirmar-se, iria contra a votação do prémio The Best entregue pela FIFA este ano, que atribuiu 48 pontos a Messi, mais oito do que Virgul Van Dijk e mais dez do que Ronaldo. Para já, fica uma entrevista onde o número 7 falou dos segredos para a longevidade na carreira, dos jogos que mais gosta de fazer e também do melhor golo que marcou.

“Aos 19 ou 20 anos compreendi que o futebol são números, títulos, recordes e golos. O melhor golo que marquei? O que marquei à Juventus pelo Real Madrid, na Liga dos Campeões, porque era um golo que queria marcar há muito tempo e chegou num momento crucial, num jogo importante, contra uma grande equipa e um guarda-redes que é excecional, Buffon. Temos de ver a altura em que rematei a bola, mais de 2,40 metros. É incrível. Para mim foi o golo de bicicleta que nunca se tinha marcado e não o digo por ter sido eu”, contou.

“O meu objetivo é permanecer jovem à medida que envelheço. Jovem e competitivo. Dê-me um exemplo de um jogador com a minha idade que tenha o mesmo desempenho do que eu numa equipa como a Juventus?”, referiu, apontando a importância de manter hábitos saudáveis de vida de nutrição e de sono. “Aproximadamente 70% da minha vida é futebol, há que ser inteligente para durar. Chamo a isso a educação de um jogador”, acrescentou, falando ainda nos segredos para conseguir uma carreira de troféus e recordes, individuais e coletivos: “Primeiro, talento. Sem isso não se pode fazer muito. Depois, trabalho, porque sem isso [o talento] não serve de nada. Nada nos cai do céu. Nunca teria chegado onde cheguei sem a força do meu trabalho.

Em paralelo, dentro dessa gestão que tem vindo a fazer aos 34 anos, o capitão da Seleção Nacional admite que tem alguns encontros preferidos de fazer mas assume que, pelos compromissos do clube, não se pode cingir a esses pontos altos de uma temporada. “Se dependesse de mim, apenas jogaria jogos importantes. Os de Portugal e os da Champions. São esses que me motivam, aqueles onde há algo em jogo, num ambiente difícil, com pressão. Mesmo assim, tens de ser profissional e estar em forma todos os dias para honrar a tua família e o clube que representas, que te paga. É preciso dar o melhor todos os dias”, destacou Cristiano Ronaldo, que se vê como “um jogador completo sem pontos débeis” apesar de saber que “a perfeição não existe”: “Trabalho para ser o futebolista perfeito ou o que se possa aproximar o mais possível dessa perfeição”.

Por fim, e dos excertos que são para já conhecidos, o avançado falou também de Messi e da rivalidade que tem há mais de uma década com o argentino. “Jogar um contra o outro em Espanha tornou-nos melhores e mais eficientes. É uma rivalidade sã, que nos permitiu ser melhores. Mas, mais do que isso, a minha motivação não depende dos outros, quero estar no topo de forma permanente”, sublinhou, valorizando ainda a “capacidade de adaptação para sair da zona de conforto e colocar-se em perigo”, como aconteceu nos clubes que representou.

“Há 15 anos que me sacrifico, que me dedico à carreira. Depois, admirarei o que fiz e desfrutarei com os amigos, com a família, a ver os melhores filhos a crescerem e a estudarem. Quero aproveitar o presente, transmitir a minha experiência de vida mas não agora, ainda tenho muito para dar”, rematou, antes de referir também que, no dia em que terminar de vez a carreira, se quer “desligar de tudo”.