As autoridades brasileiras investigam mais quatro navios de bandeira grega suspeitos de derrame de petróleo no litoral nordeste do país, além do “Bouboulina”, da empresa Delta Tankers, que já se encontrava em investigação, avançou esta quinta-feira a imprensa local.

Apesar de a Marinha brasileira não ter revelado os nomes das embarcações investigadas, a companhia Delta Tankers informou, no seu site, tratar-se dos navios-tanques “Maran Apolo” e “Maran Libra”, da empresa Maran Tankers, “Minerva Alexandra”, da Minerva Marine, e do “Cap Pembroke”, da companhia Euronav, além do “Bouboulina”.

A Delta Tankers afirma ainda no comunicado que apenas recebeu na terça-feira um aviso oficial do Ministério de Assuntos Marítimos da Grécia, no qual foi pedido, pela Marinha do Brasil, o fornecimento de documentação sobre a sua embarcação.

A empresa reitera que não está envolvida no derrame de petróleo que desde 2 de setembro polui centenas de praias dos nove estados da região nordeste do Brasil.

“A Delta Tankers realizou uma pesquisa completa do material a partir de câmaras, dados e registos, e não há provas de que a embarcação tenha parado, realizado operações navio-a-navio, carga perdida ou derramada, desacelerou ou desviou-se do rumo, na sua viagem da Venezuela para Melaka, na Malásia”, argumenta a companhia grega, acrescentando que cumpre “rigorosas políticas ambientais e regulamentos internacionais”.

A Marinha brasileira diz que identificou 30 navios-tanque de várias nacionalidades que navegaram próximo à costa brasileira onde ocorreu o derrame, mas nota que o “Bouboulina” é o principal suspeito.

O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (LAPIS) da Universidade Federal de Alagoas, no Brasil, encontrou uma fotografia que revela uma mancha escura no litoral nordeste, numa trajetória similar à do petroleiro “Bouboulina”. Contudo, a data da mancha de 85 quilómetros é anterior à passagem do navio grego pela rota, segundo o jornal O Globo. A mancha apareceu parcialmente numa imagem de 24 de julho, mas o “Bouboulina” só passou naquela área dois dias depois.

A imagem de satélite exibe um ponto branco, que “claramente se trata de um navio”, segundo disse ao Globo o cientista Humberto Barbosa, acrescentando ser impossível identificar a embarcação devido à baixa resolução do sensor que fez a captação.

Em declarações aos jornalistas, o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, disse esta quinta-feira que tentou evitar alarmismos ao divulgar informações relativas ao avanço da mancha de petróleo, de forma a não prejudicar o turismo na região nordeste.

“A nossa preocupação, desde o começo, foi não criar informações que encorajassem um impacto ainda maior no turismo da região, que precisa dos turistas”, declarou o ministro, citado pela agência Brasil, acrescentando que foram tomadas todas as medidas de identificação e monitorização do petróleo quando o Governo teve noção da dimensão do problema.

“Tivemos cuidado para não criar uma falsa sensação de que todo o nordeste está a ser atingido pelas manchas, ao mesmo tempo. (…) Fizemos o esforço de deixar claro que, uma vez retirado o petróleo das praias, pode restabelecer-se o trânsito de turistas. Porque esta é, justamente, a região que depende do turismo”, concluiu o governante.

Desde 2 de setembro, cerca de quatro mil toneladas de petróleo chegaram a 314 praias dos nove estados do nordeste brasileiro. Investigações indicaram que o derrame de petróleo bruto ocorreu a cerca de 700 quilómetros da costa brasileira “entre 28 e 29 de julho”.