O dia 25 de novembro foi o dia escolhido por Nuno Melo e Telmo Correia para, simbolicamente, apresentarem as linhas gerais da Moção de Estratégia Global que vão levar ao congresso de janeiro, onde o CDS vai escolher um novo líder. Chama-se “Direita Autêntica” e já tem página nas redes sociais. O lema, lê-se, é assumir a identidade do CDS: “Conservador e de direita”.

“A Moção Direita Autêntica é apresentada por um conjunto de subscritores, de norte a sul do país, com uma intenção comum de fazer com que o CDS ultrapasse um dos momentos mais difíceis da sua história e reencontre o caminho do crescimento e afirmação. Para nós mais do que uma reflexão à volta de correntes internas ou do posicionamento do partido, o que temos que fazer é, com autenticidade e sem ter medo das palavras ou dos conceitos, assumir de forma autêntica o que somos: um partido de Direita, sem receios, dúvidas, ou hesitações! Ou seja, assumir a nossa identidade mais profunda e aquela que nos une a todos: um CDS Conservador e de Direita — é o que somos”, lê-se na primeira publicação da página, assinada pelos dois primeiros subscritores da moção, o eurodeputado Nuno Melo e o atual deputado Telmo Correia.

A Moção Direita Autêntica é apresentada por um conjunto de subscritores, de Norte a Sul do país, com uma intenção comum…

Posted by Direita Autêntica on Sunday, November 24, 2019

Esta segunda-feira, dia do lançamento da página, surgiu outra publicação assinada apenas por Nuno Melo onde se acrescenta que “nenhum outro partido é o que só o CDS representa”.  “Precisamente por isso, um conjunto alargado de militantes, autarcas e dirigentes, pretende discutir este futuro através de uma Moção — Direita Autêntica —, que será tudo aquilo que os congressistas pretendam dela”, lê-se, não esclarecendo no entanto se a moção conterá ou não uma candidatura à liderança do partido.

Certo é que Nuno Melo, que saiu derrotado nas europeias de maio passado, tem rejeitado sempre a hipótese de avançar com uma candidatura à liderança. Em outubro, o eurodeputado pôs-se de parte e afirmou mesmo que o líder do CDS devia ter assento na Assembleia da República para conseguir ter maior destaque e visibilidade no confronto com o primeiro-ministro. Na altura, em declarações à agência Lusa, Nuno Melo afirmava que, na “atual conjuntura difícil” do partido, saída das legislativas, o futuro líder terá de poder “enfrentar o primeiro-ministro” nos debates quinzenais e “medir talentos” no Parlamento, que agora tem deputados de dois partidos próximos “da área” do CDS, Iniciativa Liberal e Chega.

Em todo o caso, é possível apresentar, em congresso, uma moção de estratégia global, onde se define o caminho que o partido deve seguir, sem com isso apresentar uma candidatura à liderança. As moções vão a votos, seguindo-se depois a votação dos candidatos aos órgãos nacionais. Acontece que, por norma, a moção mais votada costuma ser a moção do líder centrista.

Direita AutênticaO CDS esteve sempre do lado certo da democracia.Nascido em 1974, lutou contra os que queriam uma…

Posted by Direita Autêntica on Monday, November 25, 2019

“Simbolicamente, esta página nasce e é lançada no dia 25 de Novembro de 2019”, lê-se ainda na publicação, onde se defende que “o CDS esteve sempre do lado certo da democracia”. “Nascido em 1974, o CDS lutou contra os que queriam uma ditadura de esquerda para Portugal e votou contra uma Constituição que programaticamente impunha o todos o caminho para o socialismo”, lê-se.

A divulgação da página “Direita Autêntica” acontece no mesmo dia em que Filipe Lobo d’Ávila anunciou formalmente que era candidato à liderança do CDS caso a sua moção fosse a mais votada no congresso. João Almeida, atual deputado, também anunciou este sábado a sua candidatura, havendo ainda mais dois candidatos: Abel Matos Santos, da Tendência Esperança em Movimento, e ainda Carlos Meira, ex-líder da concelhia de Viana do Castelo. Já o líder da JP, Francisco Rodrigues dos Santos, também anunciou que vai apresentar uma moção de estratégia em nome próprio, mas não esclareceu se admite concorrer.