(Artigo atualizado com declarações de Filipe Lobo d’Ávila à Rádio Observador)

O ex-deputado centrista Filipe Lobo d’Ávila, do grupo “Juntos pelo Futuro”, confirmou esta segunda-feira que será candidato à liderança do CDS-PP caso a sua moção global de estratégia seja a mais votada no congresso de janeiro de 2020. Lobo d’Ávila fez o anúncio numa publicação no Facebook, onde disse que não queria que a sua eventual candidatura fosse “um tabu”.

Tenho dito a alguns amigos meus dos Juntos pelo Futuro que o meu tempo de oposição no CDS acabou e que a nossa…

Posted by Filipe Lobo d'Avila on Monday, November 25, 2019

A dois meses do congresso da sucessão de Assunção Cristas, que anunciou a sua saída da liderança na noite das legislativas de 6 de outubro, Lobo d’Ávila confirma que também levará a sua moção ao congresso e prometeu que será consequente. “Se a moção for a mais votada serei consequente e apresentarei listas a todos os órgãos nacionais, incluindo naturalmente a presidente do CDS. É também certo que nunca serei candidato com uma moção de outros. É nessas circunstâncias que sou candidato”, lê-se no mural do antigo secretário de Estado.

O antigo deputado justificou esta clarificação por não querer “criar nenhum tabu” nem deixar que “subsista qualquer dúvida” sobre a sua “postura, vontade ou decisão”. Quanto à moção, ela “não está dependente de candidaturas anunciadas ou por anunciar nem está condicionada por qualquer outra circunstância” e o facto de existirem já várias candidaturas “é um enorme sinal de vitalidade do CDS”, fato que regista “com grande entusiasmo”

“Estou certo de que todos saberemos unir o partido, fazendo da pluralidade de visões uma riqueza que não ameaça e que só enriquece”, lê-se no texto.

Filipe Lobo d’Ávila é o quarto a entrar na corrida à sucessão de Cristas, depois de Abel Matos Santos, da Tendência Esperança em Movimento (TEM), que anunciou a candidatura logo após o desaire eleitoral de 6 de outubro, de Carlos Meira, ex-líder da concelhia de Viana do Castelo que anunciou a candidatura no último Conselho Nacional do partido, e depois do deputado João Almeida, que quebrou o tabu ao anunciar a candidatura este sábado. Há ainda outro potencial candidato, Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular (JP), que também anunciou uma moção de estratégia e também admite concorrer.

“O CDS deve assumir-se como partido claramente de direita, sem ter vergonha”

Em declarações à Rádio Observador, Filipe Lobo d’Ávila diz que falta ao CDS “clareza” do ponto de vista de posicionamento ideológico para se assumir como um partido de direita. “O CDS deve assumir-se como partido claramente de direita, sem qualquer vergonha nessa presença no quadro político português”, disse, sublinhando que se refere, “obviamente”, à direita democrática e moderada.

A ideia, diz, é que o CDS deve “recuperar a identidade do CDS da democracia-cristã, convivendo com as outras tendências do CDS, já que essa é a grande virtude e mais-valia de um partido como o CDS”. Lobo d´Ávila defende que o CDS deve “aprender com os erros do passado”, porque só assim é que se consegue “perspetivar o futuro”.

Entre as mudanças que propõe para o partido, o promotor do movimento “Juntos Pelo Futuro” defende uma maior abertura do partido aos militantes, tanto para a eleição dos candidatos a deputados como para a eleição do próprio presidente do partido que, no seu entender, devia ser eleito através de diretas ou até mesmo primárias. “É preciso encontrar formas de maior participação de todos”, disse, insistindo que o partido “tem de se reinventar” e não deve ter “medo” dessas formas de participação (sejam eleições diretas entre militantes, sejam primárias abertas a simpatizantes).

Sobre a posição do CDS na oposição ao PS, Lobo d’Ávila defende que o CDS deve ser “oposição ao governo e ao PS” mas não deve ser “oposição ao país”, ou seja, não deve virar as costas às reformas que “tardam”.

Assunção Cristas anunciou a saída do cargo de presidente do CDS em 6 de outubro, na noite das legislativas em que o partido passou de 18 para cinco deputados, com 4,4% dos votos. O congresso para eleger uma nova liderança do partido está agendado para 25 e 26 janeiro de 2020, em Aveiro.