Karen Bosch estava num autocarro a caminho da Ponte de Londres (a London Bridge) quando o motorista travou a fundo. Havia pessoas a correr dos passeios para o meio da estrada. No princípio, Karen julgou que se tratava de um simples desacato. Só depois reparou que era a polícia que lutava “com um homem alto e barbudo”. Afinal, a mulher estava a ser testemunha de um ataque à faca que feriu pelo menos uma pessoa.

Segundo conta à BBC, num relato reproduzido no The Guardian, Karen Bosch apressou-se a esconder a sua bebé atrás de umas escadas “para garantir que ficava segura”. Foi então que ouviu “dois tiros ou duas explosões”: “Acho que eram tiros. E acho que também vi um taser“, recordou ao jornal britânico. Quando espreitou pela janela, viu o homem alto e barbudo deitado no chão. O atacante tinha sido abatido.

Homem abatido na London Bridge tinha engenho explosivo falso. Polícia fala em “incidente terrorista”

Não houve alívio. O homem continuava vivo e, assim que colapsou, tirou o casaco. À mostra, ficou “uma espécie de colete que tinha por baixo”, descreveu a mulher: “Não sei se era um colete para esfaqueamentos ou algum tipo de colete com explosivos. Sei que a polícia recuou muito rapidamente“, acrescentou Karen Bosch. Lá fora, o pânico estava instalado. E dentro do autocarro também: “Estávamos quase tão perto dele como a polícia”.

Naquele momento, Florence, uma investigadora da área do terrorismo de 28 anos, estava num curso para aprender a fazer pão, num mercado em Borough, quando as autoridades ordenaram que ficasse no interior da sala. Não percebia o motivo, mas conta ao The Guardian que ouvia “muita comoção, muito pânico” vindos da rua. Meia hora depois, as ordens eram contrárias: toda a gente precisava de abandonar o edifício e caminhar ao longo de cinco minutos até chegar a um lugar seguro.

O (pouco) que se sabe sobre o “incidente terrorista” na London Bridge

Foi aí que Florence perdeu o medo. A polícia “manteve toda a gente muito calma, como sempre”. Nas declarações que fez aos jornalistas, confessa que ficou “impressionada pela resposta da polícia”.

“Os agentes não nos deram muita informação no início. Senti-me bastante abalada quando fomos fechados lá dentro, mas segura assim que saímos”, concluiu.

Nesse mesmo mercado, Jo fazia compras quando um grupo de polícias fechou a área com fitas. Enquanto caminhava ao longo de uma rua secundária na esperança de poder escapar, Jo reparou no pânico que se havia instalado em Borough: “As pessoas começaram a correr. Vi duas pessoas a cair”, recordou ao The Guardian. Quando estava prestes a sair do mercado, a polícia travou-o: ninguém podia sair e toda a gente se tinha de esconder no Le Pain Quotidien.

A poucos metros, um homem fazia uma pausa para almoço. Trabalhava num escritório perto do local do ataque. Eram quase 14 horas, em Londres, quando saiu de um restaurante Pret A Manger — uma cadeia britânica de fast-food — e se deparou com “uma luta” do outro lado da rua. “Vi cinco ou seis pessoas agrupadas e parecia que uma delas tinha uma arma improvisada”, contou ao The Guardian.

De repente, “toda a gente dispersou”. Havia três agentes da polícia no local. Dois tiros soaram em London Bridge, “um a seguir ao outro”, acrescenta o homem: “Acho que a pessoa estava no chão e que dispararam contra ele quando estava deitado”, tenta recordar a testemunha. Só então percebeu que ali, tão perto do acontecimento, também corria perigo: “Podia ser um terrorista e pode haver mais a monte”, imaginou. E decidiu correr de regresso ao escritório.

Aditi, 29 anos, turista de Nova Iorque, estava em  Kappacasein Dairy quando a polícia  avisou de que algo não estava bem. “Não estávamos a conseguir processar a informação, nem sabíamos o que fazer com ela”, desabafou. Dali, fugiu por uma rua secundária por onde seguiam também os peões vindos do mercado de Borough; e acabou à frente de uma loja de queijos, a Neal’s Yard Dairy.

Aditi entrou na loja e, atrás dele, o funcionário fechou o local à chave. Toda a gente subiu ao sótão e por lá ficou durante pelo menos meia hora. A certa altura, a polícia encontrou-os e deu-lhes autorização para sair do local, desde que ninguém se dirigisse ao mercado. “Que alívio estar bem. Os funcionários da loja disseram que tinham sido treinados para incidentes como este“, acrescentou.

Por volta das 17 horas, ainda havia quem não tivesse autorização para sair dos refúgios. Constanze, 26 anos, natural de Elephant and Castle, é uma delas. Ao The Guardian, conta que está presa no News Building nas proximidades da London Bridge: “A minha equipa e eu nos sentimo-nos inquietos, assustados e preocupados, mas estávamos, felizmente, seguros dentro do prédio quando tudo aconteceu. Ninguém nos deu nenhuma ideia de quando poderemos sair”, queixou-se.