O mote é “unir aliados inesperados por uma missão comum: mobilizar o mundo para responder à crise climática como este se mobilizou para vencer a Segunda Guerra Mundial”. O objetivo a atingir é “chegar às zero emissões de carbono” e “criar milhões de novos empregos no processo”. O nome é World War Zero e é um novo movimento pela defesa do clima.

O movimento foi iniciado pelo antigo Secretário de Estado norte-americano John Kerry e pretende ser “uma nova coligação” que junta “políticos de topo, líderes militares e celebridades de Hollywood para lutar por uma resposta à crise climática”, diz o The Guardian. A filiação, contudo, está aberta a todos: basta entrar no site do World War Zero e inscrever-se para passar a fazer parte.

Entre os membros deste movimento norte-americano que pretende ser “bipartidário” — isto é, incluir democratas e republicanos por um mesmo fim — estão os antigos presidentes Bill Clinton e Jimmy Carter, do Partido Democrata, assim como republicanos, exemplo disso é o antigo governador da Califórnia e celebridade do cinema Arnold Schwarzenegger. No site do World War Zero, é possível ficar a conhecer que outras figuras públicas aderiram ao movimento, do músico Sting aos atores Leonardo DiCaprio, Emma Watson e Ashton Kutcher, passando pela antiga secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright e pela empresária e ativista Meg Whitman.

Sobre as medidas a adotar pelo grupo ou sobre as propostas que vão ser defendidas pelo World War Zero para reduzir as emissões de carbono no mundo pouco se sabe. Por ora conhece-se apenas a intenção de sensibilizar políticos e opinião pública para a necessidade de responder adequadamente às alterações climáticas a curto prazo. O movimento está ainda a receber doações, que podem ser feitas através da página oficial.

Este domingo, numa ida à estação norte-americana NBC, John Kerry explicou que o movimento surgiu da perceção de que “não há nenhum país a fazer o que é preciso” e que “a realidade é, muito claramente, que estamos muito atrasados” face ao que devíamos estar na luta contra as alterações climáticas e as emissões poluentes. “As coisas estão a ficar piores, não melhores. Portanto, temos estes inesperados aliados a juntarem-se. Não há nenhum grupo que tenha pessoas tão diversas como o nosso em termos de nacionalidade, género, idade, ideologia, passado ou experiências de vida. E todas estas pessoas juntaram-se para dizer: temos de tratar este assunto como uma guerra”, apontou, citado pelo The Guardian.

Se a presença de alguns afiliados pode causar surpresa, menos inesperada é a adesão de Leonardo DiCaprio ao movimento. O ator norte-americano é um grande defensor público da causa ambiental e da necessidade de proteção do planeta. Esta semana, DiCaprio esteve envolvido numa troca de palavras mais dura com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que o acusou de estar por detrás dos incêndios que deflagraram na Amazónia e consumiram parte da região florestal. O ator recusou qualquer investimento da sua organização de defesa do ambiente nas ONG que têm como voluntários alguns dos suspeitos pelos incêndios.