A Alemanha não só é o maior país da União Europeia, em população e economia, como é também o que possui a mais forte indústria automóvel, de que aliás as suas finanças e emprego dependem fortemente. Ainda assim, foi com pompa e circunstância que o país acolheu – e pagou parcialmente com as facilidades concedidas a somar aos subsídios – a fábrica da Tesla.

Não há muitas fábricas inteiramente dedicadas a veículos eléctricos na Alemanha, sobretudo porque os diferentes grupos de construtores locais adoptaram estratégias distintas. De um lado, o Grupo VW, para já com uma fábrica exclusivamente dedicada a eléctricos, com plataformas específicas, o que implica maiores investimentos, mas oferece a perspectiva de menores custos unitários quando a produção aumentar. Do outro, os grupos BMW e Daimler parecem ter assumido uma filosofia contrária e de compromisso, pelo menos nesta primeira fase, com modelos eléctricos a ter por base veículos com motores de combustão e capazes de serem fabricados nas mesmas linhas de montagem. Uma solução que permite resultados mais rápidos e com menores investimentos, mas que pode trazer algumas limitações a prazo.

A Tesla veio alterar a situação ao acordar com o Governo alemão uma fábrica, a Gigafactory 4, cuja construção começará em 2020, para estar pronta no final de 2021. A área escolhida para instalar a fábrica tem uma área de 300 hectares e está localizada nos arredores de Berlim, em plena floresta, o que vai levar a Tesla a plantar três vezes mais árvores do que necessita de abater para libertar o terreno. Segundo o Bild, o investimento da Tesla ronda os 4 mil milhões de euros e irá criar 10.000 postos de trabalho.

A imprensa alemã, com destaque para o já mencionado Bild e o Frankfurter Allgemeine Zeitung, obteve documentos onde é possível perceber que a Gigafactory 4 tem como objectivo uma produção de 500.000 unidades por ano, o que equivale a cerca de mais 100.000 unidades do que a Tesla fabrica actualmente, produção dividida pelos actuais três modelos da gama. Contudo, a fábrica alemã da Tesla destina-se sobretudo a alimentar o Velho Continente, começando por produzir o Model Y e de seguida o Model 3, atingindo os 500.000 veículos/ano.

A documentação agora tornada pública confirma ainda que a Gigafactory 4 vai fabricar células e packs de baterias, que actualmente ninguém fabrica na Europa, além de ter todas as operações necessárias à produção de veículos. A fábrica vai ainda produzir os seus próprios plásticos, bancos e revestimentos interiores, uma vez que a Tesla acredita na concentração da totalidade (ou quase) da produção.