O popular médium brasileiro conhecido como João de Deus foi esta quinta-feira condenado por um juiz do estado de Goiás a 19 anos e quatro meses de prisão pela violação de quatro mulheres, após centenas de denúncias de abusos sexuais.

Em declarações à agência Associated Press, um advogado de João Teixeira de Faria, o nome verdadeiro do curandeiro espiritual, disse que a defesa, que negou todas as acusações, ainda não conhece a sentença. João de Deus tinha-se entregado às autoridades a 16 de dezembro de 2018 para cumprir uma ordem de prisão preventiva.

Líder espiritual, que ganhou fama internacional pelos seus supostos dotes curativos, João de Deus, 77 anos, foi denunciado por pelo menos 335 mulheres do Brasil, incluindo da própria filha, e de outros países de que terá abusado sexualmente durante as sessões.

O Ministério Público do estado de Goiás, no centro do Brasil, foi obrigado a montar uma equipa especial para processar a quantidade de denúncias recebidas na última semana contra o guru.

Segundo os investigadores do caso, citados pelo jornal “O Globo”, a partir das primeiras denúncias foram retirados cerca de 30 milhões de reais (cerca de oito milhões de euros) de contas bancárias em nome de João de Deus, que na sua página na Internet assegura que não sabe ler nem escrever.

Seguidor da doutrina fundada em meados do século XIX pelo francês Allan Kardec, o médium realiza desde 1976 alegadas “curas milagrosas” numa espécie de templo que fundou na cidade de Abadiânia — duas horas a oeste da capital, Brasília — onde mensalmente chegam milhares de pessoas, muitas delas estrangeiras.

A reputação do médium ultrapassou largamente as fronteiras do Brasil, tendo, em 2012, recebido a visita da então apresentadora de televisão norte-americana Oprah Winfrey.

Os dois últimos Presidentes brasileiros, Lula da Silva e Dilma Rousseff, e o chefe de Estado cessante, Michel Temer, também procuraram as consultas espirituais de João de Deus por questões de saúde.