Da mesma forma como Adrien ficou metade de uma temporada de fora por um atraso de 14 segundos na venda do Sporting ao Leicester, também houve casos no limite de sucesso a envolver o futebol português e David Luiz foi um deles: em janeiro de 2011, no último dia de mercado, os dirigentes do Benfica esperavam a todo o custo junto de computadores e faxes a confirmação da venda do defesa brasileiro e, quatro minutos antes da hora, lá apareceu o tal papel que confirmava a regularidade da transação. Começava aí uma história longa do central na Premier League, que conheceu este domingo um novo capítulo com o primeiro jogo em que teve os blues como adversário e não como a sua equipa. E logo num jogo especial, em que defrontava o ex-companheiro Frank Lampard.

“Claro que desejei o melhor ao David [Luiz] quando ele deixou o clube. Fez parte da equipa que ganhou a Liga dos Campeões e jogou lesionado na final, eu sei disso. Colocou-se disponível quando estava debaixo de pressão com uma lesão e vou sempre respeitar isso”, recordou o agora treinador do Chelsea sobre o brasileiro, que não chegou a comandar muito tempo depois de sair para o Arsenal este verão. E se esse triunfo foi em 2012, faz hoje também sete anos que os londrinos se tornaram a primeira equipa com sete jogadores diferentes a marcarem no mesmo jogo, na goleada ao Aston Villa por 8-0 com golos de Fernando Torres, David Luiz, Ivanovic, Ramires (também ele ex-Benfica), Óscar, Hazard e bis de… Frank Lampard.

Com duas temporadas pelo meio no PSG, onde ganhou tudo a nível interno num total de sete títulos (duas Ligue 1, duas Taças de França, uma Taça da Liga e duas Supertaças), David Luiz construiu um legado no Chelsea até por ter feito parte do conjunto que ganhou a única Liga dos Campeões, além de um Campeonato, duas Taças de Inglaterra e duas Ligas Europa. Tal como na Luz, deixou saudades quando saiu no início de uma nova era nos blues que não podiam fazer contratações e apostaram nos jovens para equilibrarem o plantel mas nem por isso esqueceu algumas críticas de que foi alvo para justificar as prestações aquém da equipa na Premier League. A resposta não demorou e, no dérbi londrino no Emirates, o central brasileiro esteve imperial… com uns excessos à mistura.

Já no período de descontos da primeira parte, quando o Arsenal estava em vantagem por 1-0 com golo do inevitável Pierre-Emerick Aubameyang na sequência de um canto (13′), o internacional teve uma entrada tipo karaté sobre Kanté (que jogava na sua equipa no último dérbi londrino realizado, quando os blues de Maurizio Sarri golearam os gunners por 4-1 na final da Liga Europa de 2019) que deixou os jogadores do Chelsea a pedirem mais do que um cartão amarelo. O central “safou-se” e partiu para uma segunda parte ainda melhor que confirmou as melhorias do Arsenal em termos defensivos. No entanto, um erro crasso de Bernd Leno deitou tudo por terra.

Na sequência de um livre lateral, Torreira caiu na marcação a Jorginho (que dois minutos antes tinha escapado ao segundo amarelo por nova falta sobre Lacazette) e o médio que entrara ainda no primeiro tempo para o lugar de Emerson aproveitou uma saída em falso do guarda-redes alemão para encostar sozinho ao segundo poste para o empate (83′), num lance que abalou e muito o Arsenal e projetou o Chelsea para a reviravolta consumada por Tammy Abraham apenas quatro minutos depois, no seguimento de uma transição rápida onde o avançado teve um bom trabalho na área e atirou rasteiro por baixo das pernas de Leno.

Na estreia no Emirates como treinador, Mikel Arteta, novo técnico do Arsenal que terminara a carreira de jogador nos londrinos, não conseguiu ver a equipa jogar “com aquela ponta de arrogância e crença de quem é o maior clube de futebol de Inglaterra” e somou a primeira derrota, depois do empate fora com o Bournemouth no Boxing Day. Já Lampard viu o seu Chelsea reforçar a quarta posição com um triunfo no dérbi londrino que apagou também a ideia de que Tammy Abraham se apagava nos jogos grandes. Aliás, o avançado que esteve cedido a Bristol, Swansea e Aston Villa já tem os mesmos 12 golos do que Morata, Higuaín e Giroud na última Premier League todos juntos. E a maior contratação dos blues para a presente temporada está mesmo a ser a impossibilidade de contratar – assim ganhou um dianteiro para o futuro, além de outros nomes que dão cartas como Mason Mount.