O antigo Rei da Bélgica assumiu ser pai de uma mulher de 51 anos, que nasceu de uma relação extraconjugal, depois de um processo que se arrastou na justiça belga durante sete anos.

Uma ordem de um tribunal belga levou Alberto II a submeter-se, no ano passado, a um teste de ADN. Os resultados foram agora conhecidos e comprovaram os rumores que circulavam na Bélgica há décadas.

Os advogados do rei cessante avançaram, num comunicado emitido esta segunda-feira — citado pela BBC e pela Sky News —, que o monarca “soube dos resultados” que “indicam que é o pai biológico de Delphine Boël” e que “aceitou” que a artista “se torne a sua quarta filha”, pondo fim a um “doloroso processo” que durava desde 2013. A artista de 51 anos passa assim a ter direito a uma parte da sua herança.

Boël processou Alberto II, atualmente com 85 anos, depois de o monarca ter abdicado do trono em julho desse ano, em favor do filho Filipe, devido a problemas de saúde. O advogado descreveu a vida da mulher de 51 anos como “um longo pesadelo” devido a esta “busca pela sua identidade” e considerou que foi um “alívio” o rei cessante ter admitido que Boël é sua filha.

Foi numa entrevista em 2005 que a artista avançou publicamente que era filha de Alberto II, mas os rumores de uma filha ilegítima circulavam desde 1999, ano em que foi publicado uma biografia sobre a Rainha Paola, que casou com o monarca em 1959 e com quem teve dois filhos e uma filha. A mãe de Boël, a Baronesa Sybille de Selys Longchamps, disse que teve uma relação extraconjugal com o Alberto II entre 1966 e 1984, ainda antes de subir ao trono — que só ocorreu após a morte do irmão mais velho, em 1993.

[Este foi um dos temas do Termómetro desta manhã na Rádio Observador. Pode ouvir aqui]

O processo decorria em tribunal desde 2013 e, no ano passado, o rei cessante recorreu de uma decisão de 2018 que o obrigava a submeter-se a um teste de ADN. O monarca perdeu o recurso e foi alertado de que se se recusasse a fazer o teste, teria de pagar uma multa de cinco mil euros.