Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
E o "Vencedor é..." na Rádio Observador e também em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador. Hoje com a Judite de França, a Helena Garrido e o Anselmo Crespo, e comigo, Ricardo Conceição. Hoje temos vários temas em cima da mesa, vamos ver se o moderador consegue disciplinar os comentadores para termos todos os temas. Os resultados do PISA, uma nova proposta europeia que dá cobertura legal às autarquias para limitar o alojamento local. Vamos também tentar falar sobre um caso desta semana em que a Torre Eiffel fechou na segunda-feira devido a uma greve de protesto, porque houve uma visita de uma delegação hindu à Torre Eiffel em Paris. O problema é que a delegação hindu obrigou que fossem retiradas as funcionárias mulheres da Torre Eiffel, porque esta delegação não queria ter contato com mulheres. Já lá vamos. Ainda regressamos à moção de censura. Helena, ontem estivemos aqui a assistir ao debate da moção de censura. Foram quatro horas de debate. Queríamos ouvir as tuas notas também sobre a moção.
Eu diria que do ponto de vista político, Luís Neves e Luís Montenegro conseguiram aliviar a pressão. Já de manhã, Luís Neves basicamente cometeu um erro que foi com o Rui Rocha, mas depois quando regressou até pediu desculpa, ou seja, quando disse: "O senhor não é juiz pra me fazer perguntas", já se sabia que aquilo ia correr mal. Mas depois dos desempenhos anteriores, eu penso que todos nós estávamos com expectativas muito baixas e quando estamos com expectativas muito baixas, as coisas depois correm bem na avaliação. Mas não resolveram o problema. O que Montenegro fez? Comprou tempo, mas para já conseguiu fazer uma coisa, que é voltar a conquistar alguma iniciativa política. Nós vemos hoje as manchetes dos jornais, foi inevitável falarem do bónus das pensões e da redução do IRS. Ele comprou tempo. Depois também temos o orçamento de Estado, tudo isto pode ser suspenso por causa disso, mas temos a Comissão Parlamentar de Inquérito, que também promete continuar com este tema em lume brando. Alguém, penso que era o Rui...
Rui Pedro Antunes?
Rui Pedro Antunes. Lembrava ontem, se não me engano, que será depois assistirmos ao construtor na comissão de inquérito. Tudo isto vai ser colocar o governo em lume brando. Mas para já comprou tempo, e esse tempo pode ser determinante se algumas das investigações chegarem à sua conclusão e, especialmente, se forem favoráveis, independentemente, pois que haverá sempre aquela análise de: "Ai, será que foram independentes, isentas ou não?" Do ponto de vista das políticas, agarrando agora nos anúncios do Luís Montenegro, ele de facto não caiu na tentação de adotar medidas muito imprudentes. Eu diria que a imprudência está na redução do IRS, e imprudência porque nós estamos a viver momentos de grande incerteza, em que temos um novo fator de pressão, que é a subida das taxas de juro da dívida. Esta semana, o Estado já pagou mais pelo seu financiamento. Isto está relacionado com a turbulência dos mercados internacionais, mas o bónus é um valor temporário. Onde é que eles vão buscar a margem? Obviamente, o crescimento da economia é um crescimento que é muito amigo da subida da receita fiscal, porque é um crescimento baseado no emprego, no aumento dos salários, no consumo. Tudo isto significa IRS e IVA. Claro que um crescimento baseado no investimento nas exportações é mais saudável, mas dá menos receita fiscal. E depois temos os dividendos da Caixa Geral de Depósitos, que só esses dividendos, mais do que pagam o bónus, que são os 1.250 milhões de euros que a Caixa Geral...
O bónus é de 400 milhões e a redução do IRS também é 400 milhões.
Exatamente.
Portanto, contas feitas, ainda sobra algum.
Quer dizer, sobra algum dos dividendos da Caixa.
Sim.
Qual é o problema do IRS? Se nós percebemos bem, o ministro das Finanças deu uma entrevista e ficou aqui no ar uma dúvida se a redução de IRS ou é só um reajustamento nos descontos, nas tabelas de retenção. O problema é que o IRS é uma redução de receita que é estrutural, é para sempre.
Exato.
É para sempre ou os governos têm de ter coragem e pagar caro pra voltar a fazer aumentos de impostos. Penso que algumas pessoas ainda se lembram do enorme aumento de impostos anunciado pelo governo Pedro Passos Coelho e por Vítor Gaspar. E portanto, diria que sim, não caiu na tentação, que podia ser grande, face à pressão a que estava submetido, de ir ao ISP e agora baixa o ISP, baixa o IVA.
E o IVA zero.
E o IVA zero, que está aí prometido.
Essa mítica medida do Partido Socialista.
Exatamente. E que é mais uma batalha, que esperemos que não vá pra frente, que custa imenso dinheiro e que está completamente descartado.
E com nenhum efeito
Completamente desfocado. Porque vale mais agarrar nesse dinheiro e voltar a dar um bónus. Fazer como António Costa fez, que deu um bónus à classe média baixa, entre aspas.
Eram 150 €, 120, não sei.
Chegava até aos 150. A toda a gente, a todas as pessoas.
Estou impactado que eu já nem me lembrava disso. Como é que você é excelente.
Tantas coisas que nos deram.
Eu a esta hora ainda não posso dizer o que fiz com o dinheiro. A lei não permite.
Estás-te a render.
Não. Rendeu.
Rendeu?
Não posso dizer. A lei não me permite.
Ai não?
Não.
Pronto.
Tem regras.
É melhor não dizeres.
Isto não é abrir o microfone.
Ricardo, é melhor não dizeres.
A curiosidade da Helena, ela assim: "Mas conta lá."
Exatamente.
Eu sei que às vezes parece que isto é abrir o microfone e dizer.
Se vez que te portaste mal, eu não sabia que te portavas mal. Se não podes dizer, é ilegal.
Não, não posso dizer.
É regras deontológicas.
Não, é uma regra legal.
É uma regra da casa. Mas deixa-me só acrescentar o seguinte: há aqui um aspeto que é agora estás-te a partir a rir.
Não, agora estão milhares de ouvintes a perguntar: "Mas onde é que ele foi enterrar o dinheiro?"
Podem colocar nos comentários, podem expor a adivinhar nos comentários.
Exato.
Daí nós depois a seguir vamos ver o que adivinharam nos comentários, mas é só porque é limitado aqui na Rádio Observador.
Não, é lei da rádio e televisão.
Lei da rádio e da televisão.
Não podemos incentivar, vou dar uma pista.
Já dou uma pista.
Não podemos incentivar os consumos de certos produtos entre as 07:00 e as 22:00, não é Anselmo? Acho que é isso.
É isso.
Vens aqui às 23:00.
Não, no noticiário das 22:00 eu vou estar cá a dizer onde é que eu recebi o bónus.
Esqueces-te de fazer a curiosidade dos ouvintes. Posso adivinhar que foste para os copos, eventualmente.
Não posso dizer.
Com essa pista.
Estavas a falar.
Estavas num prémio. Estamos a falar de coisas tão sérias.
Certo.
Deixa-me só acrescentar o seguinte.
Obrigado, Zita.
Deixa-me acrescentar o seguinte: há um aspeto que me parece também que merecia correção, porque o governo entregou semana passada aquilo que tecnicamente se chama o quadro das políticas invariantes, que também deve ser outra expressão que tu vais gostar muito.
É impressionante.
Que é na prática dizer qual é o montante que o Estado já tem comprometido, resultante de compromissos passados. O exemplo mais simples é, como toda a gente sabe, as pensões, a atualização das pensões é regulada por uma lei, portanto, o governo tem de cumprir aquela lei. E aí não aparece nenhum IRS. Quer dizer, o bónus não precisa de aparecer porque é temporário, mas a descida do IRS eventualmente deveria ter de aparecer. Vamos ver se vai corrigir ou não e que tipo de descida de IRS é esta.
Anselmo, também ainda queres ir aos bónus?
Sim, até mais ao IRS, mas posso começar pelos bónus. Vou começar pelo copo meio cheio. Há duas coisas que me agradam neste contexto e já não é pouco, porque o resto desagrada-me profundamente. A primeira é um bocadinho aquilo que a Helena dizia, eu prefiro uma política fiscal que redistribui ou distribui dinheiro através do IRS, do que uma política fiscal que agora para responder à inflação vai ao ISP, depois vai ao IVA zero, depois vai não sei aonde, depois vai aqui, depois vai ali. Eu acho que as pessoas são maiores e vacinadas, se tiverem o dinheiro no bolso, farão com o dinheiro aquilo que bem entenderem. Não significa que pontualmente não possa haver, como existe, este ajuste no ISP em função de uma volatilidade que neste momento é grande por causa do choque externo, mas desagrada-me esta ideia de andar aqui pesca à linha, imposto a imposto, e sobretudo, acho que temos uma experiência já grande dos últimos anos, no caso do IVA zero, de como é uma medida absolutamente ineficaz. Para além de injusta, para além de parecer socialmente injusta. E, portanto, esse é o lado que eu acho positivo. O segundo lado que eu acho positivo é que, apesar de 400 milhões de euros não ser nada, serem meia dúzia de euros na carteira das pessoas, a verdade é que tudo somado, já vamos em mais de 1000 milhões de euros de descida de IRS desde que Luís Montenegro é primeiro-ministro, e eu acho que apesar de tudo, tudo somado, não deixa de ser positivo. O que me desagrada profundamente? Esta forma de fazer política, de dar milho aos pombos. Antes nós fazíamos a leitura de que eram propostas e medidas eleitoralistas, porque havia sempre uma eleição a seguir. Se não era legislativas, era autárquicas, se não era autárquicas, era europeias, se não era europeias, era presidenciais, havia sempre uma eleição a seguir e, portanto, havia sempre essa interpretação. Mas a verdade é que essa interpretação para mim continua válida, e isso é o que me preocupa profundamente.
É um governo minoritário, esse é o risco.
É verdade, mas eu acho que mesmo para um governo minoritário, era possível ter uma política um bocadinho mais consistente e que eu acho que o país perceberia, e que provavelmente, posso estar errado, mas é a minha interpretação, provavelmente até tinha mais hipóteses de sucesso naquele que é o grande objetivo de Luís Montenegro desde o início, que é um dia chegar a uma maioria absoluta. E que eu acho que cruza muito com aquilo que tem sido a teoria de Pedro Passos Coelho, que é: o governo não tem que abdicar das suas Ideias, das suas propostas, das suas reformas, tem que as apresentar, tem que as discutir, tem que chamar os partidos para virem a jogo.
Tem de as explicar.
Tem de as explicar, mas o país não pode andar neste rame-rame permanente. Foram oito anos a fazer pesca à linha. Agora são mais dois anos de medidas pontuais, toma lá, dá cá, agora é para desviar as atenções de Luís Neves, amanhã é para ganhar uma eleição.
Isto é apagar fogos. Neste momento temos aqui um fogo.
Mas ele nunca se apaga verdadeiramente fogo nenhum. Nós estamos num contexto muito difícil do ponto de vista externo e que tende a agravar. Amanhã, provavelmente, o Banco Central Europeu vai subir as taxas de juro, o Euribor provavelmente vai chegar aos 3,5%. Nós vimos de um ciclo de taxas de juro historicamente baixas, portanto, é mais do que provável que estejamos a entrar num ciclo de taxas de juro historicamente altas ou que, pelo menos, não vão descer para os níveis onde já estiveram, o que significa que o custo de vida vai agravar-se muito mais do que aquilo que nós já estamos a viver agora. E o que me chateia é: eu percebo que o Estado não pode, pura e simplesmente, nem este governo, nem nenhum, chegar ao IRS e fazer uma descida brutal do IRS. A economia não aguenta isso. E não é seguramente os dividendos da Caixa Geral de Depósitos que aguentam isso.
E sobretudo é imprudente.
É imprudente.
Porque nós não sabemos o que o futuro reserva.
Mas eu acho que é consensual, e o próprio Luís Montenegro ganhou eleições nesse pressuposto, que a carga fiscal suportada pelo país, contribuintes particulares e empresas, é uma carga fiscal absolutamente insuportável.
Sobretudo sobe muito rapidamente, no caso o IRS.
O que eu gostava era de ver um plano. Eu não estou a dizer que o Luís Montenegro tem condições ou que o Miranda Sarmento tem condições neste momento para baixar mais do que 400 milhões, ou 600, ou 1000 milhões, ou 2000 milhões de uma vez. Não é isso que eu estou a dizer. Eu gostava de perceber um plano que passasse por duas áreas. Por um lado, uma reforma fiscal, uma reforma fiscal à séria, calendarizada, um bocadinho à semelhança, mal comparado, se quiseres, com o que o governo tentou fazer com o IRC, que é não dá para descer tudo de uma vez, mas nós vamos fazer isto de forma faseada. E simultaneamente, encontrar mecanismos que permitam à economia suportar essa descida faseada. Porque as duas coisas não podem estar desligadas. E preocupa-me ainda mais que nós tenhamos perdido esta oportunidade da última década para fazer exatamente isso, porque este problema do brutal aumento de impostos que vem de Vítor Gaspar, é um problema que nos levou à bancarrota, mas que na verdade é um problema que vem de trás. Nós sempre tivemos uma carga fiscal excessiva para aquilo que são os rendimentos do trabalho em Portugal e sobretudo para aquilo que era a necessidade da competitividade das empresas. E, portanto, eu acho que nós perdemos aqui uma oportunidade de ouro na última década para fazer exatamente isto, uma reforma fiscal acompanhada de uma política económica que permitisse ao país alavancar essa reforma fiscal, até porque uma reforma fiscal que reduz impostos tem também em si mesmo um efeito na economia, nomeadamente através do consumo ou na atração de investimento. Isso não foi feito. E portanto, como não foi feito, eu também não vejo condições para se fazer nos próximos anos, independentemente de quem seja o governo.
O que o governo está a fazer é cumprir o seu programa eleitoral. Disse que ia reduzir o IRS em 2000 milhões de euros.
De acordo, certo. Mas também a última vez que o Ministério das Finanças dizia ao Parlamento, ainda foi na semana passada.
Disse que não havia margem.
Disse que para manter a responsabilidade orçamental, não se podia fazer um corte adicional do IRS. Portanto, alguma coisa mudou.
E também queríamos ouvir sobre os bónus e o IRS.
Depois de tudo o que já foi dito, não tenho muito a acrescentar, a não ser esta questão, que eu acho que é uma questão importante, que é o facto de o ministro das Finanças ter dito ao Parlamento que não iria fazer este ano um corte adicional no IRS, para manter a responsabilidade orçamental, o que significa que passados seis dias, este corte no valor de 400 milhões de euros é uma irresponsabilidade orçamental. Só posso concluir isso. Se não se podia fazer para manter a responsabilidade orçamental, é porque isto não é responsável.
Isso, sobretudo, porque ele ainda não explicou bem onde é que vem a margem.
Exatamente.
As margens, nós podemos colocar a hipótese em raciocínio, mas ele não explicou.
Mas nós estávamos a apontar para um excedente de 0,7% do PIB. E é provável que este ano tenhamos um saldo orçamental nulo. Veremos se é nulo.
Ele diz que sim.
Vamos às notas?
Eu percebi por que isso foi feito ontem. Como é evidente, foi um truque para desviar atenções. Acho que esta desconformidade entre declarações do primeiro-ministro e do ministro das Finanças não faz sentido e, portanto, dou um nove.
Helena?
Eu sou mais positiva. Eu daria um 14 a Luís Montenegro por ter conseguido recuperar alguma iniciativa, ganhou tempo. As medidas que adotou ou que anunciou não são medidas que exponham o país a um risco financeiro preocupante. Se ele tivesse adotado outras, o IVA zero ou o ISP, parecia muito mais preocupante. E por isso acho que o Luís Montenegro merece um 14.
Ação. Eu vou ficar no meio, vou dar um 12. Primeiro, porque apesar de tudo, acho que é melhor baixar do que subir.
Claro.
Em segundo lugar, por isso, porque é a primeira vez, acho eu, nos últimos 15 dias ou vá, se eu quiser, dois meses, que eu não tenho que falar de Luís Neves.
Sim.
Portanto, só isso, só o fato de eu hoje não ter que falar de Luís Neves, já merece um 12.
Eu como ontem dei boa nota a Montenegro, exatamente por causa das medidas, mas acho que estas declarações do ministro das Finanças não fazem sentido. Não fazem sentido com a proposta e com a iniciativa.
Sim, o ministro das Finanças, principalmente ontem, devia ter explicado isto.
Claro.
Helena, vamos falar do PISA?
PISA. Não é pizza de comer, é o famoso relatório.
Nem é a torre.
Diz?
Também não é a torre.
Também não é a Torre de Pisa, é verdade, não estava nem aí.
As referências patrimoniais neste programa não são.
Exato. A esta hora é mais referências alimentares.
Exato.
Os resultados são muito preocupantes. Aliás, basta ler as notícias que têm vindo a ser divulgadas. Nós atingimos valores de 2006 na leitura e na matemática. É claro que nós podemos sempre dizer que os outros também desceram, e é verdade, mas se olharmos para os números, nós descemos mais. E o facto de nós descermos e de os outros descerem também não é nenhuma-
Não é contentamento
...não é nenhuma razão de contentamento. Nós até 2011, ou melhor dizendo, de 2000 a 2015, conseguimos subir, contrariando a tendência de queda dos outros. É a partir de 2015 que nós caímos. Nós podemos dizer que é a pandemia, que é a fragmentação da atenção, que há muita concorrência pela atenção das pessoas, mas há também aqui políticas públicas, e eu gostava aqui de citar o ex-ministro da Educação, Nuno Crato, que sumariza muito bem o que se fez de mal a partir de 2015, logo em 2016. A partir de 2011, recorda ele, definiram-se objetivos de aprendizagem muito claros, consagraram-se as provas do quarto ano, do sexto ano, manteve-se a prova do nono ano e os exames finais, e criou-se um sistema de apoio para os alunos com dificuldades. O que aconteceu a partir de 2016? Tudo isto desapareceu. As metas curriculares foram substituídas pelas aprendizagens essenciais, nós ainda nos lembramos deste linguajar. Os exames de quarto e sexto ano desapareceram e o apoio às aprendizagens, o apoio às pessoas com maiores dificuldades, foi substituído por apoio socioemocional. E estamos nisto. Claro que, obviamente, a pandemia e a fragmentação e a concorrência pela atenção pode ter aqui um papel, que há aqui variáveis que têm de ser comuns a todos, até porque os outros países também desceram. Mas nós temos grande responsabilidade no que se passou e é bastante grave aquilo que nos revela o resultado.
Queres dar uma nota?
A minha nota vai para o ex-ministro João Costa, o ex-ministro da Educação. Ele pelo menos assumiu responsabilidades, algumas responsabilidades, mas espero que ele agora também então colabore para corrigir os erros que ele próprio cometeu enquanto ministro da Educação.
Mancela, também quer falar sobre este tema.
Sim, subscrevo o que a Helena diz sobre o João Costa. Não é muito comum ouvir um governante ou um ex-governante assumir as responsabilidades da forma que ele o fez. Acho que isso deve ser sublinhado. Não sendo eu exatamente um especialista em educação, acompanho o tema hoje em dia com muito mais interesse, porque tenho dois filhos, uma delas em idade pré-escolar, e não consigo deixar de olhar para aquilo que aconteceu nos últimos anos e sentir que isto é resultado de uma tentativa de criar um facilitismo no sistema de ensino. Eu tenho muita dificuldade em debater este tema só na base do mais exames ou menos exames, que é onde eu ouço normalmente o debate público, é devemos avaliar mais ou avaliar menos. Eu acho que as avaliações são importantes, mas não consigo alcançar como é que só debatendo o tema das avaliações nós conseguimos corrigir o que está errado. Eu acho que é um tema mais profundo do que isso, parece-me. Há um tema em torno dos programas.
É acabar, voltar a focar.
Em torno de uma coisa que em Portugal se tornou muito habitual, que é trabalhar para as estatísticas, que não estas do PISA, naturalmente, mas as estatísticas de quantos alunos é que entram no ensino superior, de quantos alunos é que passam de ano, quantos alunos é que são retidos. E, portanto, há toda uma tentação, muitas vezes dos governos, e agora estou a falar em geral, de trabalhar para estatísticas, e para as estatísticas o mais imediatas possível, porque essas são aquelas que permitem chegar ao próximo ato eleitoral com estatísticas. E eu tenho muito essa ideia relativamente àquilo que aconteceu na educação. E também tendo começado pelo João Costa, pela postura que teve e apesar de ele depois relativizar e dizer: "Bom, Portugal não é caso único, isto é transversal", isso é fraco consolo. Eu queria também assinalar, já que ele esteve também muito baixo de fogo este verão, o trabalho que está a ser feito pelo atual ministro da Educação, Fernando Alexandre, que me parece, mais uma vez, não sendo eu exatamente especialista nesta matéria, que me parece ir na direção certa. Não apenas naquilo que é a intenção de rever os programas, e depois a seguir deixo para os especialistas exatamente o que deve constar desses programas, mas também naquilo que tu dizias no tema da atenção. Eu acho que a medida dos telemóveis ou a tentativa de controlar um bocadinho a utilização de telemóveis nas escolas é uma boa medida. Eu não sou a favor das proibições porque sim, mas a primeira medida que foi no ensino básico, do primeiro ano ao quarto ano, parece-me absolutamente evidente. Não vejo qual é a utilidade de um miúdo com seis, sete, oito, nove anos ter um telemóvel dentro de uma sala de aula.
Temos de ouvir a tua nota.
E, portanto, vou pelo copo meio cheio, no sentido de Deixar aqui alguma esperança de que estas medidas que estão agora a ser implementadas e estas pequenas reformas, se quisermos, que estão a ser implementadas por Fernando Alexandre, possam vir a produzir efeitos no médio, longo prazo. Só no médio, longo prazo é que saberemos. Portanto, eu vou dar um 12 a Fernando Alexandre, que é o benefício da dúvida.
Então vamos falar de habitação, Judite de França.
Vamos. Falo rapidamente sobre isso.
Para ainda irmos à Torre Eiffel.
Para ainda irmos à Torre Eiffel, porque a Comissão Europeia avançou com uma lei que permite agora às autarquias limitar o alojamento local e taxar imóveis devolutos. Isto associado a planos para acelerar o licenciamento, a construção de novas casas. Esta criação de um enquadramento jurídico europeu é mais importante do que parece, por variadíssimas razões, nomeadamente porque cria uma espécie de escudo legal que confere segurança jurídica às autoridades locais, permitindo aplicar regras mais estritas sem risco de perderem processos judiciais movidos ou por proprietários ou por grandes plataformas como a Airbnb, porque um dos alvos desta lei é claramente o alojamento local. Isto não obriga os Estados membros a adotarem medidas, mas fornece enquadramento legal para o caso de assim entenderem. E eu espero que entendam, porque há uma série de medidas que me parecem muito razoáveis, como impor um teto máximo de dias por ano em que um imóvel pode ser arrendado para turismo. Isto faz com que os donos dos alojamentos locais provavelmente não tenham o mesmo rendimento e, portanto, ponderem passar o alojamento local de novo para arrendamento de longa duração. Há estabelecer um número máximo de licenças de AL em determinadas zonas. Nós já temos isso, mas provavelmente elas não são suficientemente apertadas. E há, por exemplo, proibir a transformação de imóveis residenciais, a partir de agora, em alojamento local. São medidas com que eu concordo.
Queres dar uma nota?
Já acabou. Tinha muito ainda para dizer, mas vou dar uma boa nota à Comissão Europeia, é este comissário Dan Jørgensen, que é dinamarquês e que avançou com esta proposta chamada de Lei da Habitação Acessível, e vou dar um 15. E agora compete às nossas autarquias estarem com atenção.
Vamos ainda à Torre Eiffel, Helena Garrido, deixa-me tentar resumir aqui rapidamente o que aconteceu. Esteve fechada segunda-feira devido a uma greve, isto porque foi visitada por uma delegação hindu, é importante, que pediu para não ter contato com mulheres. Então as mulheres que trabalham na Torre Eiffel foram escondidas.
E as mulheres e os homens fizeram greve, exatamente para mostrar, e é esse o elogio que nos merece, alguém colocou isto, deu mediatismo a esta decisão, que admito que se não tivessem feito greve, ninguém ficava a saber. O que é extraordinário neste caso é que parece que a culpa não é de ninguém, porque a empresa que gere a Torre Eiffel pede desculpa, diz que vão existir consequências e que a direção não teve conhecimento. Este é de facto um caso extraordinário de como é que nós ainda consideramos normal ceder, sequer. Primeiro é alguém ter a lata de pedir uma coisa destas. Segundo é alguém aprovar e alguém ainda por cima ter a lata de dizer às mulheres para desaparecerem. Isto é o absurdo a que estamos sujeitos e eu penso que, neste caso concreto, estes temas têm de estar sempre em cima da mesa, que é como a democracia, que damos como adquirido e não é um bem adquirido.
Tu tens uma nota?
Tenho uma nota para as mulheres e os homens, imagino que os homens também tenham feito greve.
Para os grevistas, tens uma nota para os grevistas?
Para os grevistas, 18 para os grevistas. Aqui está uma greve que vale mesmo a pena.
E uma nota 18 para os grevistas na Torre Eiffel. Amanhã há mais "O Vencedor" e nas manhãs 360, amanhã com o Jamail Fernandes, o Paulo Ferreira, o Bruno Vieira Amaral e a Sara Antunes de Oliveira.