O atual chefe de gabinete do presidente de Angola recebeu a 25 de julho de 2013 uma soma de 17,6 milhões de dólares na sua conta bancária, quando era ministro de Estado e chefe da Casa Civil do antigo presidente José Eduardo dos Santos. A revelação é feita pelo semanário Expresso, na sua edição semanal (já disponível a assinantes).  Ninguém sabe a origem do dinheiro e Edeltrudes Costa “não o explicou ao Expresso”, revela o semanário português.

Edeltrudes Costa, que tem uma fortuna avaliada em mais de 20 milhões de euros e que em 2013 era ministro de Estado e chefe da Casa Civil do pai de Isabel dos Santos, viu serem-lhe depositados 16,7 milhões de dólares na conta bancária que tinha no BAI – Banco Angolano de Investimento.

Essa não é a única transferência suspeita para contas bancárias do atual chefe de gabinete do presidente angolano João Lourenço. Cerca de um mês depois da transferência mais avultada, foram depositados na sua conta 5 milhões de dólares pelo empresário Domingos Manuel Inglês. “Ao longo” do mesmo mês terá levantado, “em numerário, 1,25 milhões de dólares”, acrescenta o Expresso, citando documentos a que teve acesso.

Ao semanário, o político angolano limitou-se a dizer: “Os recursos que recebi, tanto no exercício de funções públicas como no exercício da minha atividade profissional ou em resultado de investimentos pontualmente realizados, foram atempadamente declarados e sujeitos a escrutínio pelas autoridades angolanas competentes, sendo as minhas fontes de rendimento perfeitamente claras e legais”.

Quando explicou a escolha para liderar a Sonangol, Isabel dos Santos falou dele

Em entrevista recente ao Observador, a empresária Isabel dos Santos, cujas contas e participações em empresas foram arrestadas em dezembro passado por decisão judicial — é suspeita de ter sido favorecida pelo regime angolano  em mais de mil milhões de euros, juntamente com o marido —, mencionara o nome de Edeltrudes da Costa.

Isabel dos Santos falava ao Observador sobre a sua escolha para a administração da empresa pública angolana Sonangol quando lembrou que a “comissão de reestruturação petrolífera” – que supostamente a escolheu para CEO da petrolífera estatal – era “liderada por Edeltrudes”, o “diretor de gabinete do Presidente João Lourenço”.

A invocação e a referência a Edeltrudes soaram a uma tentativa de dar credibilidade à sua escolha, já que o então líder da comissão petrolífera veio a tornar-se braço-direito de João Lourenço. Isabel dos Santos não referiu, contudo, que Edeltrudes fora antes disso ministro e chefe de Casa Civil do anterior presidente, seu pai.

Agora, o Expresso revela que o antigo líder da comissão de reestruturação petrolífera, entidade alegadamente imparcial e que elegera Isabel dos Santos pelos seus méritos empresariais, recebeu 13 milhões quando era ministro de José Eduardo dos Santos.