“Acabei de voltar de Wuhan e fui infetada. Por isso, estou sozinha em casa em quarentena”. O grito de desespero proferido enquanto simulava um ataque de tosse impediu Yi (o nome fictício atribuído pela polícia) de ser violada. Pelo menos, foi suficiente para afastar o agressor sexual de 25 anos que entrou no seu quarto na noite do passado dia 31 de janeiro.

Yi não está infetada com coronavírus, mas a mentira pareceu credível até porque a tentativa de violação ocorreu na casa da vítima, nos arredores cidade de Jingshan, a menos de 200 quilómetros de Wuhan — o epicentro do surto. Assustado e apesar de estar a usar uma máscara no momento do ataque, Xiao (o nome fictício também atribuído pela polícia) acabou por fugiu, não sem antes roubar Yi de 3.080 yuans (cerca de 401 euros), escreve o Daily Mail.

Assim que se viu livre do agressor, Yi chamou a polícia que rapidamente montou uma operação para o captura — o que se tornou impossível pelo facto de todos os habitantes daquela zona estarem a usar máscaras, devido ao coronavírus, adianta o mesmo jornal. Cerca de três dias depois, Xiao acabaria por se entregar, acompanhado pelo seu pai. Confessou o crime e encontra-se detido.

A fotografia do agressor sexual de 25 anos, divulgada pela polícia de Jingshan

Segundo escreveu a polícia de Jingshan em comunicado, horas antes de ter invadido a casa da vítima, o homem de 25 anos tinha abandonado a sua própria casa na sequência de uma discussão com familiares.

Por não ter dinheiro e com intenções de roubar, Xiao decidiu entrar na casa de Yi. Xiao tirou o casaco e os sapatos e entrou no quarto de Yi. Ao acordar, Yi gritou por ajudar ao encontrar um homem estranho. Xiao agarrou-lhe no pescoço com a mão, tapou a boca e o nariz e começou a insultá-la”, relata a polícia no comunicado.

A história é um exemplo de como fingir estar infetada por coronavírus salvou uma mulher. No entanto, à medida que o surto desta nova estirpe se vai alastrando a vários países do mundo, vão surgindo histórias de pessoas que fingem ter coronavírus, mas para obter vantagens: desde ter acesso prioritário em clínicas a conseguir seguidores nas redes sociais.

O instagrammer que queria fazer um vídeo viral. E que fez com que um voo voltasse para trás

Duas horas depois de descolar, o voo com destino a Montego Bay, na Jamaica, teve de regressar ao Aeroporto Internacional Pearson, em Toronto, para uma aterragem de emergência. A razão? O intagrammer e rapper James Potok, de 29 anos, decidiu anunciar, a bordo do avião, que tinha regressado da região chinesa de Wuhan e que não se estava a sentir bem. Ao mesmo tempo que fazia o anúncio, filmava-se a ele próprio e aos outros 243 passageiros.

Olhei em volta. Vi a reação das pessoas. Elas não pareciam muito felizes. Não os culpo. Parei de gravar e sentei-me na minha cadeira”, disse Potok numa entrevista à CBC.

James Potok acabou por ser levado pela tripulação — equipada com máscaras e luvas — para a parte de trás do avião, onde lhe foi pedido que ficasse até ao final do voo. Ao chegar a Toronto, o homem de 29 anos foi examinado por médicos que constataram que estava saudável e concluíram que tinha mentido. Alguns passageiros publicaram nas redes sociais o vídeo do momento:

O rapper acabou depois detido pela polícia. Até porque, segundo revelou na entrevista, já tinha feito algo semelhante noutro voo — embora com menos gravidade uma vez que não obrigou a uma aterragem de emergência. “Tirei o meu telemóvel, fiz um vídeo viral, levantei-me e disse: ‘Peço a vossa atenção. O novo álbum de Lil Wyane acabou de sair’“.

Na entrevista, James Potok revela por que razão o voltou a fazer, agora fingindo que tinha coronavírus. “Bem, na verdade, era apenas para criar um vídeo viral, para conseguir algo que, na minha opinião, teria entrado no 6ixbuzz”, disse, referindo-se a uma rede social de Toronto. Agora, o instagrammer terá de comparecer em tribunal, no próximo dia 9 de março.

O caso de James Potok não é o único em que alguém fingiu ter coronavírus. De acordo com o site Daily Beast, dizer que está contagiado têm sido uma prática entre adolescentes, na rede social TikTok que tem estado a remover conteúdos deste género.

Também no Canadá, mas em Vancouver, um adolescente publicou um vídeo alegando que o seu amigo tinha sido infetado e que era o primeira caso confirmado na sua cidade. Na sua página desta rede social, o jovem, Zach Oldham, descreve-se como fundador de uma agência de marketing digital e refere-se a si mesmo como o “CEO do coronavírus”.

A falsa ama que quis ter acesso prioritário numa clínica no Rio de Janeiro

Uma brasileira foi detida no Rio de Janeiro após ter simulado uma infeção pelo novo coronavírus para conseguir acesso prioritário a cuidados médicos numa clínica, indicou este sábado a polícia local.

A comissária encarregada do caso explicou que a mulher de 39 anos se deslocou na sexta-feira à noite à clínica em Copacabana, bairro turístico do sul do Rio, afirmando ter sintomas do coronavírus. Para tentar convencer os seus interlocutores, a residente no Rio disse que tinha regressado de Hong Kong, onde tinha trabalhado como ama.

A equipa médica entrou imediatamente em alerta, mobilizando numerosos profissionais de saúde durante várias horas. A doente foi levada para uma sala isolada e submetida a vários exames, tendo o Ministério da Saúde sido alertado como prevê o protocolo estabelecido pelas autoridades de saúde. A mulher foi detida pela polícia após elementos da sua família terem revelado que ela nunca saiu do Brasil e que nem sequer tem passaporte.