O novo coronavírus poderá infetar pelo menos uma em cada 20 pessoas na cidade de Wuhan, ou seja, meio milhão de habitantes, quando se atingir um pico “no meio/final de fevereiro”, segundo a previsão de cientistas que estabeleceram modelos para a propagação do vírus. A confirmar-se a previsão, significa que o número de infetados em Wuhan vai disparar nas próximas semanas, já que os dados divulgados pelas autoridades chinesas apontam para 14.982 casos registados na cidade onde eclodiu o surto, até às 20:00 de sábado à noite. Ao todo, o coronavírus já matou 904 pessoas, segundo informação divulgada este domingo, e infetou mais de 37.000 em todo o mundo.

Este domingo, Espanha confirmou um segundo caso de coronavírus no país. De acordo com o El País, a pessoa infetada em Espanha é uma das quatro de uma família britânica que se encontra em isolamento desde sexta-feira no Hospital Universitário Son Espases, em Palma de Maiorca, depois de ter estado em contacto com uma pessoa contagiada em França. As análises feitas aos restantes membros da família deram negativo.

Também o Reino Unido registou um quarto caso de um nacional contaminado. Em comunicado, as autoridades de saúde britânicas indicam que o doente esteve em contacto com um outro caso de coronavírus no país, adiantando que a contaminação aconteceu em território francês. O doente está agora internado no Hospital Royal Free, a norte de Londres.

O número de mortos por coronavírus voltou a aumentar. Uma nova atualização dá conta de 904 vítimas mortais em todo o mundo. Sábado tornou-se o dia mais mortífero, desde o início do surto, com 91 novos casos. Na noite de sábado, a Comissão Nacional de Saúde da China tinha anunciado 722 mortos pelo surto do novo coronavírus.

O número de mortos já ultrapassa o número de vítimas mortais provocadas pelo surto de SARS (Síndrome Respiratório Agudo Severo) que, em 2002 e 2003 fez 774 mortes no mundo inteiro.

Segundo a Comissão, até ao fim do dia de sábado registaram-se 6.188 casos graves, enquanto 2.649 pessoas tiveram alta. Neste momento, há 37.563 infetados em todo o mundo. Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há outros casos de infeção confirmados em mais de 20 países.

Cientistas preveem 500.000 infetados em Wuhan nas próximas semanas

Os cientistas acreditam que o novo coronavírus pode infetar uma em cada 20 pessoas (500.000 habitantes) na cidade de Wuhan, na China, quando se atingir um pico nas próximas semanas. A tendência suportada nos casos relatados em Wuhan “apoiam amplamente” os modelos matemáticos que a London School of Hygiene & Tropical está a usar para prever a transmissão da epidemia dinâmica, de acordo com os cientistas desta instituição, citados este domingo pela agência de informação financeira Bloomberg.

Supondo que as tendências atuais se mantêm, estamos a projetar um pico no meio/final de fevereiro” em Wuhan, disse o professor associado de epidemiologia de doenças infecciosas Adam Kucharski na London School of Hygiene & Tropical, citado pela Bloomberg.

Kucharski, que trabalha com análise matemática em surtos de de doenças infecciosas, explicou que “há muita incerteza, daí que seja cauteloso em relação a escolher um único valor para o pico, mas é possível com base em dados atuais, ver um pico de prevalência acima de 5%”.

Mapeando o surto de coronavírus em todo o mundo, Kucharski, bem como seus colegas na instituição britânica, basearam os seus modelos num conjunto de hipóteses sobre o vírus 2019-nCoV. Estas incluem um período de incubação de 5,2 dias, atraso no início dos sintomas para confirmação da infeção de 6,1 dias e o risco de infeção entre as 10 milhões de pessoas que foram identificadas como as mais vulneráveis em Wuhan.

Com base naqueles dados, uma prevalência de 5% equivale a cerca de 500.000 infeções no total. Isto é, muitas vezes mais do que os 14.982 casos que as autoridades de saúde provinciais tinham reportado em Wuhan até 20:00 de sábado à noite na China.

As próximas duas semanas são realmente críticas para entender o que está a acontecer“, disse, por sua vez, Benjamin Cowling, chefe de epidemiologia e bioestatística na Universidade de Hong Kong, numa entrevista em Melbourne, na quinta-feira, citada pela Bloomberg.

Este domingo, foi ainda noticiado que nove pessoas de Hong Kong, que pertencem à mesma família, foram infetadas com o vírus depois de terem partilhado uma refeição num restaurante, no final de janeiro.  Segundo as autoridades, a família participou num encontro com 19 outras pessoas, que partilharam uma refeição de carne e vegetais.

Hong Kong levanta quarentena no navio cruzeiro World Dream

As autoridades de Hong Kong levantaram este domingo a quarentena pelo novo coronavírus no navio cruzeiro World Dream, após os testes realizados aos passageiros terem dado negativo. O navio foi colocado em quarentena quando atracou na quarta-feira no porto de Hong Kong depois de oito passageiros chineses terem sido diagnosticados com o novo vírus.

O oficial do porto Leung Yiu-hon afirmou este domingo que os testes realizados aos mais de 1.800 passageiros foram concluídos antes do previsto e deram todos negativo. Alguns passageiros que apresentavam sintomas deram negativo, disse Leung Yiu-hon, explicando que não havia necessidade de testar todos os passageiros porque não tinham tido contacto com os oito que estavam infetados.

A quarentena do navio, que tem mais de 1.800 passageiros, a maioria de Hong Kong, terminará e todos os que estão a bordo poderão partir, anunciou o oficial citado pela agência AP. A bordo deste navio estavam sete pessoas com passaporte português, segundo o cônsul geral de Portugal em Macau e Hong Kong,

Na passada quarta-feira, uma equipa das autoridades de saúde de Hong Kong embarcou no World Dream para realizar inspeções médicas a 1.800 passageiros e 1.800 tripulantes após o navio atracar no terminal Kai Tak, em Kowloon, ao qual chegou depois de ter sido recusado pelas autoridades de Taiwan.

A Organização Mundial de Saúde declarou em 30 de janeiro uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional, o que pressupõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial. As pessoas infetadas podem transmitir a doença durante o período de incubação, que varia entre um dia e duas semanas, sem que o vírus seja detetado.