Investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) integram um projeto que visa desenvolver ferramentas para “melhorar as práticas de cultivo, saúde e bem-estar” dos peixes criados em sistemas de aquacultura, revelou hoje o responsável.

Em declarações à agência Lusa, Benjamin Costas, investigador do CIIMAR, instituição da Universidade do Porto sediada em Matosinhos, adiantou que o projeto, intitulado “FeedMi”, visa “promover o bem-estar animal e sustentabilidade ambiental” no setor da aquacultura.

“O projeto partiu de um desafio proposto por duas empresas do setor da aquacultura, que tinham como objetivo melhorar o bem-estar dos animais e otimizar os seus processos de produção”, explicou o investigador.

Iniciado há mais de um ano, o projeto, que junta investigadores de quatro instituições portuguesas, está, através de ferramentas nutricionais, a “otimizar as práticas” de produção do setor.

Assim, com recurso a “dietas funcionais” para otimizar a produção de linguado, dourada e outras espécies, os investigadores pretendem melhorar a “resistência destes animais ao stress e bactérias patogénicas”.

“Os alimentos atualmente utilizados partem da mesma base, mas queremos tornar o processo e os recursos mais sustentáveis, através de outros suplementos”, referiu Benjamin Costas.

E acrescentou, “as ferramentas que vamos desenvolver vão permitir que os animais estejam mais ‘fortes’ e saudáveis. Vamos fazer com que eles não sejam sujeitos a antibióticos, o que os torna melhores para o consumidor”.

Além de promover o bem-estar animal, os investigadores vão também desenvolver “modelos informáticos” para adaptar estas dietas às necessidades de cada espécie e a otimização da qualidade da água.

Neste projeto, os investigadores do CIIMAR são responsáveis pela análise do sistema imunológico dos peixes, pela monitorização da qualidade da água no sistema de recirculação e a otimização do funcionamento do biofiltro [equipamento que permite a remoção de impurezas da água].

Além do CIIMAR, integram o projeto, a empresa SPAROS, a empresa Safistela, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).

O “FeedMi” é financiado pelo Compete 2020, CRESC Algarve 2020, Portugal 2020 e Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).