Morreu José Carlos Saldanha, aos 55 anos, conhecido por, há cinco anos, interromper uma sessão do Parlamento para pedir tratamento para a Hepatite C. A informação foi confirmada à agência Lusa por fonte oficial do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, que adiantou que a morte se deveu a uma septicemia, que não está ligada à hepatite C, da qual já estava curado. O doente estava internado no Hospital de Santa Maria e o seu estado de saúde tinha-se agravado nos últimos dias.

A 4 de fevereiro de 2015, José Carlos Saldanha parou os trabalhos da Comissão parlamentar e pediu a Paulo Macedo, na altura ministro da Saúde, que não o “deixasse morrer”. No meio da discussão, o doente levantou-se e gritou: “Não me deixe morrer, eu quero viver”.

José Carlos Saldanha era um dos milhares de doentes em Portugal sem acesso a fármacos inovadores que curavam a hepatite C e que já existiam no mercado, mas que Portugal ainda não tinha comprado. A 18 desse mês, o Ministério da Saúde apresentou a nova estratégia de tratamento da hepatite C, que incluía os medicamentos comparticipados a 100% pelo Estado. Na altura, em entrevista ao jornal i, confessou que a “determinação” que demonstrou no Parlamento era a “de todos os dias, viver um dia de cada vez e alcançar os objetivos” que tinha.

Em 2018, o então ministro da saúde, Adalberto Campos Fernandes, citado pela Lusa, agradeceu publicamente a José Carlos Saldanha pela sua intervenção. “A coragem do José Carlos Saldanha foi que, nessa altura, ele fez bem o que era obrigação dele — afrontar o poder político, mas também o que era a sua obrigação, que é afrontar o poder económico”, disse o ex-ministro, dirigindo-se ao doente, numa conferência em Lisboa.

Em entrevista à TVI, transmitida no início de fevereiro deste ano, numa das suas últimas intervenções públicas, o rosto dos doentes que lutavam pela cura da hepatite C garantiu que fazia uma vida normal e que todos os dias agradecia “estar vivo”.