“Todos acham glamoroso ser jogador e profissional de futebol. Todos veem o sucesso e a fama. Poucos sabem o quanto de sacrifício e renúncia fazemos. Nesta época de Carnaval estaremos a trabalhar forte para que a NAÇÃO comemore mais uma vez. Bom carnaval para vocês e bom trabalho para nós.”

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Se dúvidas existissem sobre a altura do ano que atravessamos (neste caso reforçado por estarmos a olhar para o Brasil), bastava olhar para as bancadas do Maracanã para ver uma espécie de Sambódromo antecipado de rubro-negro para apoiar o Flamengo naquele que poderia ser o quarto título da equipa em apenas 91 dias. No entanto, e em bom português com Jorge Jesus nunca abdica, “trabalho é trabalho, conhaque é conhaque”. E com a segunda mão da Recopa Sul-Americana à porta, a festa do Carnaval teria de ser por esta ocasião mais moderada. O Extra escreveu mesmo que o treinador terá pedido mais informações sobre os bilhetes por causa da família mas que recusou os convites que foi recebendo para marcar presença numa das grandes festas do ano.

Com um plantel mais reforçado do que na última campanha, perdendo apenas Pablo Mari e Reinier mas ganhando mais soluções para todos os setores, o técnico português promoveu alguma rotatividade da equipa que não podia contar por lesão com Bruno Henrique e Rodrigo Caio. Além destes, outros habituais titulares como Diego Alves, Rafinha, Filipe Luís, William Arão, Gerson, Arrascaeta ou Éverton Ribeiro ficaram de fora na decisão da Taça Guanabara, troféu que o Flamengo já ganhara 21 vezes e que premeia o melhor da primeira volta do Campeonato Carioca, que terá ainda a Taça Rio na segunda volta antes do arranque do Campeonato do Brasil.

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A primeira parte, apesar do resultado, justificou o porquê. Apesar do empate a uma bola ao intervalo, o Boavista teve apenas um lance para visar a baliza de César e foi 100% eficaz, num livre direto bem cobrado por Jean (4′) que teve antes um erro de Léo Pereira. De resto, só Flamengo. Muito Flamengo (mas nem sempre bem, acrescente-se) com apenas um golo que valeu a igualdade, com Vitinho a assistir Diego para o remate em zona frontal que sofreu ainda um desvio antes de enganar o guarda-redes Klever (43′). Michael, uma das contratações mais sonantes da temporada após uma grande temporada no Goiás, foi um dos melhores no conjunto de Jesus.

Um já está, dois a caminho: Flamengo de Jesus vence Supertaça do Brasil e pode conquistar três títulos em dez dias

Se a metade inicial teve apenas um sentido, o segundo tempo começou com um verdadeiro sufoco do Flamengo, a ganhar várias bolas ainda no primeiro terço adversário com zonas de pressão mais altas, mas sem o procurado golo da reviravolta apenas das boas ocasiões de Pedro e Vitinho. Percebendo que o problema entroncava no corredor central, Jesus lançou William Arão e Éverton Ribeiro nos lugares de Thiago Maia e Diego, antes de esgotar as alterações com a entrada de Gerson para o lugar de Vitinho para Éverton recuperar o lugar na ala. A exibição estava aquém no nível da última época mas houve espaço para mais um reviravolta.

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Gabriel Barbosa, melhor marcador da equipa que usou pela primeira vez o número 24 do Flamengo inserido numa campanha de sensibilização de todas as equipas que forma a terminar com o preconceito da homossexualidade no futebol (o 24 faz essa associação), marcou mais uma vez o golo decisivo já no último quarto de hora (79′), garantindo um triunfo que ainda foi ameaçado por um erro de César mas que merecia ter outra expressão. E com outro dado curioso: Jesus passa agora a ter tantas derrotas (Emelec, Bahia, Santos e Liverpool) como títulos (Taça dos Libertadores, Campeonato, Supertaça e Taça Guanabara) desde que chegou aos rubro-negros, reforçando ainda mais o estatuto quase divino que ganhou no clube e entre os adeptos do Mengão.

Com mais este triunfo, o segundo numa semana que pode aumentar com a decisão da Recopa Sul-Americana na próxima quarta-feira, Jorge Jesus alcançou o seu 18.º título da carreira, quinto nos últimos dois anos: depois da Taça Intertoto no Sp. Braga, dos dez troféus ao serviço do Benfica (três Campeonatos, uma Taça de Portugal, cinco Taças da Liga e uma Supertaça) e da Supertaça e da Taça da Liga no Sporting, o treinador conquistou a Supertaça da Arábia Saudita no Al Hilal antes de vencer Taça dos Libertadores, Campeonato e Supertaça no Flamengo, a que juntou agora a Taça Guanabara (e ainda foi à final do Mundial de Clubes).