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Este é o som do "Três Toques" com o Bruno Vieira Amaral. "Três Toques" que também pode ver em direto nas nossas redes sociais ou através do site do Observador. Vamos lá à pergunta do dia: quantos jogos perdeu Vítor Pereira na Liga Portuguesa nos dois anos que treinou o Porto?

Foi campeão nestes dois anos.

O Paulo ri-se como eu.

Tirando o Vítor Pereira.

O Vítor está com as antenas no ar.

Quantos jogos? Quem é que sabe? Há muita gente que sabe. Mandem lá um palpite.

Eu acho que foram 18.

Foram 18.

Perdeu 18 vezes. Aqui não há margem.

Não há margem. É Natal.

Já vos disse, fui campeão nos dois anos.

De que competições?

Só do campeonato nacional.

Só no campeonato.

Só para a liga. Já podias ter dito.

Então assim vais rever o teu número.

Sendo assim, não faço a mínima ideia.

11.

"11", diz a Carla e revira os olhos. 12.

Revira os olhos.

Dá para dizer 11 e meio?

Vês aqui para acertar, Carla.

11 e meio, diz o Paulo.

11 e meio. Exato.

É seguir em frente, já contei.

Ok. Ainda vamos falar do Vítor Pereira. Então, Paulo, tens alguma coisa para dizer?

Paulo, depois disto, em que é que ficamos, Paulo?

Por falar em Vítor Pereira.

Por falar em Vítor Pereira, que está a treinar na Inglaterra.

Não falem com o Paulo, porque ele está com um dialeto terrível.

Estou a continuar, depois resolvemos isso. A vida não está fácil para o Special Ruben.

Não está.

O Special Ruben. Onde é que eu já ouvi isso?

Pois é. O nosso Special Ruben disse que as coisas ainda iam piorar. E não é que pioraram? Ele acertou. Percebe disto, afinal.

Se melhorar, iam piorar. Lá está.

E estão a piorar, nisso não tem falhado. Ruben Amorim contava que a vida não fosse fácil em Manchester nestes primeiros tempos, mas talvez não contasse que fosse assim tão difícil. Ontem perdeu em casa, no chamado Teatro dos Sonhos, por 3 x 0, e não foi um sonho.

Foi mais um pesadelo.

E contra o Bournemouth, uma equipa que até está a fazer um excelente campeonato e que no ano passado, quando visitou o United, mais ou menos por esta altura.

Também ganhou.

Ganhou, e por 3 x 0. Portanto, os adeptos do Manchester United sentem-se naquele filme "O Feitiço do Tempo". Parece que estão a reviver o mesmo dia. Em nove jogos, o United com Ruben Amorim no comando técnico sofreu 17 gols. Contra o Nottingham Forest, no outro jogo que tinha feito para o campeonato, sofreu três. No último antes do dérbi, no último em casa. Sofreu mais quatro do Tottenham para a Taça da Liga e ontem sofreu mais três. Se quer começar a mudar a história, Ruben Amorim precisa de estancar esta hemorragia e arranjar maneira de não sofrer assim tantos gols. Para já, conseguiu aqui um recorde negativo, vem assinalado também no artigo do Observador sobre o jogo, do Bruno Roseiro. É a primeira vez desde a criação da Premier League, em 92, 93, que o United passa o Natal na segunda metade da tabela. É 13º.

Não estava em 13º quando foi para lá o Ruben.

Pois, mas continua. É a primeira vez no Natal, ou seja, que passa o Natal nesta triste posição.

Quem teve uma estreia de sonho, ao contrário aqui do Ruben Amorim, na Premier League, foi o Vítor Pereira. Lá está.

Lá está. O Vítor Pereira estreou-se no comando técnico do Wolverhampton. Ele disse durante a semana que andou 14 anos para aqui chegar, e entenda-se aqui como Premier League, e a equipa jogou de acordo com esse longo caminho percorrido pelo antigo treinador do Futebol Clube do Porto, numa equipa inicial que tinha oito falantes de português.

Também ajuda.

Eu acho que o critério foi a língua, para facilitar a linha de comunicação. O Wolverhampton foi ganhar por 3 x 0 ao terreno do Leicester. A equipa vinha de um ciclo de quatro derrotas consecutivas e com os gols de Gonçalo Guedes, Rodrigo Gomes e Matheus Cunha, lá está, todos a falarem a mesma língua do treinador, interrompeu esse ciclo negativo, embora ainda esteja abaixo da linha d'água. Curiosidade, e esta é uma curiosidade muito curiosa e muito apetecível para todos os fãs portugueses da Premier League, é que na próxima quinta-feira, na jornada do "Boxing Day", o dia 26 de dezembro, temos um Wolverhampton Manchester United. Ou seja, Amorim contra Vítor Pereira, Bruno Fernandes e Diogo Dalot contra paletes de jogadores portugueses do Wolverhampton.

Só imigrantes.

Só. Todos eles.

Olha, agora vamos acabar com boas notícias e literalmente natalícias.

É verdade, Carla. Isto parece que no Arsenal se vive em tempos de grande fertilidade.

Fertilidade?

É um clube muito fértil em novidades, mas não tanto em campo. A equipa está em terceiro lugar, a seis pontos do líder. Podem ser nove, porque o Liverpool tem um jogo a menos. Mas a fertilidade fora das quatro linhas é que três dos jogadores do plantel, o norueguês Martin Ødegaard, o alemão Kai Havertz e o brasileiro Gabriel Jesus, isto parece as Nações Unidas, vão ser pais, as respetivas companheiras estão grávidas. Os jogadores normalmente anunciam isto quando festejam os gols. E quando festejam os gols, fazem aqueles gestos da bolinha na barriga ou então da chupeta. E isto deu tanto nas vistas que na conferência de imprensa, depois do jogo, um jornalista perguntou ao treinador do Arsenal, Mikel Arteta, o que é que andava a dar aos jogadores para estarem todos solidariamente de esperanças. Arteta riu-se, assim um sorriso um bocado amarelo, e desejou bom Natal a todos. Riu-se porque sabe que os jogadores não tiram licença de paternidade. Eu nunca vi um jogador dizer: "Olha, agora vou estar ausente dois meses porque fui pai."

É verdade. Vamos lá à pergunta do dia: quantos jogos perdeu Vítor Pereira na Liga Portuguesa nos dois anos que treinou o Porto? Acertou o Paulo, não acertou?

Não, olha, vocês não percebem nada disto. É o que eu vos digo. Só perdeu um jogo.

Estás a brincar.

Um jogo.

Em dois anos.

Em dois campeonatos.

Dois campeonatos, sim.

Em duas temporadas, perdeu um único jogo para a liga. É verdade.

E só ficou duas épocas no Porto.

E só ficou, depois foi-se embora, já viste.

Donde vitória.

É verdade. Perdeu contra o Gil Vicente, creio que foi em janeiro de 2012, e não perdeu mais nenhum jogo. É um registo.

Bem, impressionante.

É de facto um registo impressionante e a Carla tem razão, por que é que depois se foi embora? Mistérios.

Mister contato, não é?

Mistérios. Mas agora pronto.