A Media Capital registou prejuízos de 54,7 milhões de euros no ano passado, contra lucros de 21,6 milhões de euros um ano antes, anunciou a dona da TVI, que está em processo de compra pela Cofina. Estes resultados refletem a perda da liderança das audiências de televisão para a SIC em 2019, depois da saída de estrelas como Cristina Ferreira que se estreou no programa da manhã do canal concorrente no início do ano passado.

A queda nas audiências e na publicidade foram também fatores que levaram a Cofina a reduzir em 50 milhões de euros o preço oferecido pela empresa de media detida pela espanhola Prisa. O acordo de venda foi anunciado em 2019, mas a operação só será concretizada este ano.

A Media Capital registou prejuízos de 54,7 milhões de euros em 2019, “comparando com os 21,6 milhões [de lucro] verificados no ano anterior, com a redução a advir, na maior parte, do reconhecimento de imparidades de ‘goodwill’, bem como do desempenho operacional”, explica a empresa, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valore Mobiliários (CMVM).

Em igual período, os rendimentos operacionais caíram 9% para 165,1 milhões de euros, “tendo a queda sido de 16% para o último trimestre do ano”. O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) ascendeu a 18,6 milhões de euros, uma quebra homóloga de 55%.

Os rendimentos operacionais de televisão caíram 13% para 131,8 milhões de euros, enquanto os relativos à produção audiovisual subiram 1% para 33,1 milhões de euros. Já os rendimentos de rádio e entretenimento avançaram 19% para 24,4 milhões de euros, no período em análise.

As receitas da publicidade recuaram 10% para 112,3 milhões de euros, sendo que a queda foi de 17% no último trimestre do ano passado.

No segmento de televisão (cujos rendimentos recuaram 13% para 131,8 milhões de euros), as receitas de publicidade registaram uma diminuição de 15% para 87,8 milhões de euros. O EBITDA foi negativo em 50,8 milhões de euros, o que corresponde a 30,2 milhões de euros positivos em 2018.

“A evolução combinada entre rendimentos e gastos resultou num EBITDA ajustado de gastos de indemnizações e imparidades de ‘goodwill’ de 5,5 milhões (-82%, variação homóloga), ao passo que no quarto trimestre o valor foi de 1,5 milhões de euros (vs 11,5 milhões no mesmo período de 2018)”, refere a Media Capital.

Os gastos operacionais ajustados de gastos com indemnizações e imparidades de ‘goodwill’ aumentaram 5%, “decorrendo, sobretudo, da aposta em conteúdos, visando a recuperação a prazo de níveis de audiência líder (sobretudo em ‘prime time’)”. No segmento da produção audiovisual, o EBITDA ajustado atingiu os 1,8 milhões de euros negativos, contra 816 mil euros positivos um ano antes.

A rádio e entretenimento foi o segmento no qual as receitas de publicidade registaram maior progressão, ao subirem 13% para 20,9 milhões de euros, com o EBITDA a crescer 54% para 11,6 milhões de euros.

Em termos de investimento (capex), este aumentou 48% no ano passado, face a 2018, para 9,1 milhões de euros, “em boa parte devido ao impacto da adoção do IFRS 16 [normas contabilísticas], já que tal se traduziu num montante de 2,3 milhões de euros. O restante capex resulta, em larga medida, de investimentos em tecnologia de alta definição e digitalização”, refere.

“O endividamento líquido situou-se, no final de setembro de 2019, em 88,5 milhões de euros, registando um incremento de 2,9 milhões face ao final de 2018”, adianta a dona da TVI.