Fernando Medica admite que não há tempo a perder no aeroporto do Montijo porque “é claro aos olhos de todos que o Aeroporto da Portela está a funcionar acima das capacidades. Está congestionado. E isso afeta a qualidade de vida das populações. Tem de ser encontrada uma outra solução”, referiu o Presidente da Câmara de Lisboa, na quarta-feira à RTP no programa “Grande Entrevista”.

Sobre a lei que permite aos municípios vetar a construção do aeroporto do Montijo, Medina descreve-a como “desajustada e desproporcional“, pelo facto de conceder a um único município o poder absoluto de condicionar uma infraestrutura de âmbito nacional. E é neste ponto que crítica a posição do PSD, por querer duas coisas incompatíveis: manter o poder de veto às autarquias mas estar a favor da localização. “Recordo que quem começou a negociar a solução do Montijo foi o governo de Passos Coelho. Agora, o PSD diz que não questiona a localização mas dá o poder de veto a uma autarquia. Isso não é possível. Se o PSD não avançar para a alteração da lei, tem de defender a solução Alcochete”, contrapõe o presidente da Câmara, acrescentando ainda que um país periférico como Portugal “não vai conseguir substituir o avião pelo comboio”.

Já na cidade, a aposta é trocar o carro particular pelos transportes coletivos. Ou por um veículo elétrico. Sobre o projeto ZER ABC (Zona de Emissões Reduzidas Avenida Baixa Chiado), que tem suscitado inúmeras dúvidas aos moradores e comerciantes das zonas afetadas pela proibição da circulação automóvel, Fernando Medina reconheceu que algumas medidas vão ser implementadas de forma “faseada”, como é o caso dos reabastecimentos a lojas e restaurantes previstos no horário noturno (12h00-06h00). Este foi mesmo um dos pontos mais discutidos nas reuniões organizadas pela Câmara Municipal de Lisboa nos espaços das juntas de freguesia envolvidas na ZER ABC. O autarca diz-se “sensível aos argumentos” que lhe têm sido apresentados mas quer, eventualmente, substituir os reabastecimentos por uma central logística. De preferência, “nos próximos seis meses”. Mas enquanto se estuda uma solução, as cargas e descargas vão funcionar em “regime aberto”. Ou seja, pouca coisa muda na prática. Pelo menos para já.

Faseadas vão ser também as obras de requalificação dos espaços públicos. À exceção da Avenida da Liberdade, que é o projeto com mais “impacto”, afirma Medina, o ritmo das obras vai ser negociado com os parceiros de forma a não prejudicar a atividade económica. Conclusão? “Podem demorar até dois anos. Tudo depende”. Ainda sem solução à vista está também a “polémica” medida dos 10 convites atribuídos mensalmente a todos os moradores das zonas ZER. Medina reforçou a ideia de que “não vai controlar ninguém”, acrescentando que há mais de 20 anos que a cidade de Lisboa já tem zonas de acesso controlado (ZAC), onde vivem dez mil pessoas, “e só elas podem estacionar no centro histórico”, afirma o presidente da Câmara, sem conseguir compreender as críticas que se geraram à volta da medida que abre a porta até 10 visitantes.
Nos últimos minutos finais, e questionado se é sua intenção recandidatar-se à autarquia, Medina revelou algum desconforto com a pergunta mas acabaria por admitir ser essa a sua vontade, afirmando ainda que “não sai, entretanto, para nenhum outro lugar”.

Com oito casos suspeitos, em Portugal, só nas últimas 24 horas, o tema do coronavírus era inevitável. Medina frisou que a autarquia está atenta à evolução da epidemia (juntamente com a Direção Geral de Saúde e o Ministério da Saúde) mas o mais importante é evitar o “pânico”. No entanto, não esconde o impacto negativo que o coronavírus terá na atividade turística da capital, à imagem do que já acontece lá fora. Por enquanto, e apesar de estarem confirmadas 2800 vítimas em todo o mundo, não há “medidas de emergência em cima da mesa”. É esperar para ver.