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Do apocalipse Balenciaga ao desfile que reabriu o Louvre. A Semana da Moda de Paris em 16 atos

A Balenciaga criou um cenário apocalítico ao afundar o próprio desfile. Kenzo e Givenchy tiveram inspirações portuguesas. A Louis Vuitton reabriu o Louvre e fechou a semana da moda. Veja as imagens.

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Durante dez dias, a capital francesa parou para ver desfilar os maiores nomes da moda — Chanel, Dior, Valentino, Balenciaga e Saint Laurent foram as estrelas naquela que é a maior das constelações, a Semana da Moda de Paris. O calendário desta edição não foi alheio ao risco de propagação do novo coronavírus — com desfiles cancelados e um reforço da presença em redes sociais chinesas. Vale tudo para que uma das mais poderosas indústrias do mundo não abrande.

No que depender de Paris, a moda-espetáculo segue intacta e o cenário apocalítico do desfile da Balenciaga, no último domingo, é prova disso. Esta foi também a edição em que Felipe Oliveira Baptista se estreou ao leme da Kenzo, um momento alto entre muitos outros. A semana da moda terminou esta terça-feira, recordamos agora as imagens que marcaram os últimos dias.

Marine Serre: um acessório de moda contra o temível Covid-19

Em 2017, com o prémio LVMH para jovens designers, a criadora francesa conquistou um lugar ao sol, que é como quem diz no calendário oficial da Semana da Moda de Paris. Na última semana, as imagens do seu trabalho — na passerelle e fora dela — correram mundo. Não que as mais recentes coleções tenham feito estremecer os alicerces da indústria, mas porque as suas máscaras foram o ícone perfeito numa fashion week empenhada em lidar com o novo coronavírus.

Getty Images

No desfile, Marine Serre apresentou máscaras para o próximo inverno. Na rua, a manequim japonesa Akimoto Kozue exibiu uma versão da mesma peça, mas desenhada para esta primavera-verão. Não foi a única a antecipar o risco de contágio em grande estilo. Uma das convidadas do desfile da Balmain, na última sexta-feira, apareceu de máscara e com o monograma da Chanel. Entre os convidados da Maison Margiela também houve visuais futuristas que simularam este acessório protetor.

Dries van Noten e a Paco Rabanne distribuíram máscaras no início do desfile. Gwyneth Paltrow voou até Paris com a sua Airinum Urban Air Mask 2.0 de 63 euros, curiosamente a mesma marca que colabora com Marine Serre.

Dior e o feminismo dos anos 70

“Quando as mulheres protestam o mundo para”, “Patriarcado = emergência climática”, “Consentimento. Consentimento, Consentimento” — o ativismo de Maria Grazia Chiuri voltou a sair à rua, ou melhor, a ir desfilar na passerelle, um dia depois de Harvey Weinstein ter sido considerado culpado por crimes sexuais, em Nova Iorque. No desfile, a diretora criativa da Dior voltou a dar voz a um feminismo colaborativo — os letreiros com palavras e frases de ordem foram obra do coletivo Claire Fontaine –, mas com uma ótica ainda mais pessoal. Inspirada pelo movimento dos anos 70 e pela própria juventude vivida em Roma, o mood board da coleção outono-inverno chegou mesmo a incluir fotografias da própria designer. Uma intenção que se traduziu em casacos acolchoados, blusões e calças de ganga, camisas e diferentes tipos de xadrez. Botas de combate, lenços na cabeça e collants de rede fizeram reviver a rebeldia de outros tempos.

Dominique Charriau/WireImage

Saint Laurent ao vivo e a cores

Se tivermos de apontar um ingrediente predominante na receita de Anthony Vaccarello para o próximo outono, a resposta está no látex. O material ajudou o diretor criativo da Saint Laurent a criar um contraste perfeito entre a provocação de umas calças coladas ao corpo e a solenidade de blazers assertoados, longos sobretudos e blusas de laçada. Desafiado a desenhar uma coleção onde a cor desempenhasse um papel de relevo, o criador jogou com vermelhos, roxos, fúcsia, mostarda e azul. Segundo admitiu no final do desfile, foi uma vez sem exemplo.

AFP via Getty Images

Júlio Pomar, Kenzo Takada e o mar dos Açores

A expectativa em torno da primeira coleção desenhada por Felipe Oliveira Baptista para a Kenzo não saiu defraudada. Depois de anos à frente da Lacoste, o português deu provas de mestria na hora de equilibrar moda de autor e sportswear. Aos 81 anos, o fundador Kenzo Takada assistiu ao desfile na primeira fila. Oliveira Baptista evocou a génese nómada da própria marca, misturando acabamentos acolchoados, corta-ventos e outras peças de outdoor com sobretudos e trenchcoats perfeitamente cortados. Dos Açores, o criador trouxe um traje local, um capote e um capelo negros transpostos para as abas largas de chapéus e bonés, mas também memórias de verão, com as flores, a paisagem verde e o mar a perder de vista presentes sob a forma de estampados. O carrossel de referência ficou completo com os “Tigres” de Júlio Pomar. A série inspirou vestidos, camisolas e camisas e inaugurou um novo capítulo na história da marca francesa.

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP via Getty Images

Paco Rabanne e a armadura de hoje

Foi com hábitos e armaduras que a Paco Rabanne desceu às catacumbas da Conciergerie, em Paris. O romantismo dos estampados florais e a austeridade das silhuetas clericais formaram uma harmoniosa justaposição, sem no entanto esquecer as malhas metálicas tão características da marca francesa. Qualquer uma das inspirações faria o maior sucesso num baile de máscaras, mas o designer Julien Dossena conseguiu convertê-las em peças usáveis, cheias de personalidade.

FRANCOIS GUILLOT/AFP via Getty Images

Loewe, um laboratório de modernidade

No que depender da marca espanhola, o outono será um compromisso entre uma alfaiataria contida e cumpridora de todas as regras e uma explosão de volumes e formas que o designer de serviço englobou na expressão “dressing to impress“. Nesta coleção, o britânico Jonathan Anderson explorou novos contornos para a silhueta feminina. A contemporaneidade do desenho viveu de tecidos ricos, incluindo brocados, e de acabamentos em couro, matéria tão cara para a Loewe, mas também serviu para revisitar o clássico peplum. O resultado é um verdadeiro refresco.

FRANCOIS GUILLOT/AFP via Getty Images

Balmain e a aclamação de Rousteing

Aos 33 anos, o designer francês Olivier Rousteing está a viver um momento alto da sua carreira. “Wonder Boy”, a história de uma criança negra adotada por um casal branco em Bordéus, que sonhava em entrar nos grandes ateliers de alta-costura — a sua história, portanto –, conquistou, na última semana, o César de melhor documentário. O desfile que se seguiu não podia ficar abaixo de triunfante. Na passerelle, Rousteing não se limitou a interpretar uma balada intensa ou um hit de pista de dança cheio de energia e sensualidade; o que compôs foi uma sinfonia completa, abrilhantada pela presença de Helena Christensen. Dos fatos de cetim às malhas mais confortáveis, da inspiração náutica à lide equestre, dos estampados barrocos às lantejoulas e aos acolchoados, o designer varreu o universo Balmain de uma ponta à outra, um universo que, nove anos depois, já é também o seu.

Jacopo Raule/Getty Images

Celine, uma festa dos anos 70

Nostálgica, roqueira e com uma inclinação para excessos não foi por acaso que a Celine de Hedi Slimane desfilou numa sexta-feira à noite. A androginia continua a ser um dos pratos fortes deste novo capítulo, com a tónica da coleção nas silhuetas boémias e datadas. As bainhas estiveram sobretudo acima do joelho, os vestidos e casacos cintados, os folhos, lançadas e veludos, tal como as lantejoulas, não olharam a género.

AFP via Getty Images

Vivienne Westwood tem uma arma branca

No histórico Hôtel de Ville, Vivienne Westwood e o seu braço direito, Andreas Kronthaler, conseguiram furar por entre as marcas e designers na berra e criar um dos momentos altos da Semana da Moda de Paris. No final de um desfile que adicionou um conjunto de referências étnicas ao ADN punk da criadora britânica, Bella Hadid irrompeu dramaticamente pela passerelle. O vestido, transparente no peito e de ombros volumosos, era uma obra-prima em renda branca e de cintura bem marcada. À cintura, a manequim carregou um punhal.

Peter White/Getty Images

Fátima Lopes: o Japão em Paris

Fátima Lopes, a única portuguesa em nome próprio a integrar o calendário oficial da Semana da Moda de Paris, apresentou uma coleção inspirada na cultura japonesa. Não faltaram os vestidos com silhuetas de quimono e as sedas, influências que cruzou com transparências, assimetrias e outros traços característicos da marca.

Francois Durand/Getty Images

Balenciaga, a grande inundação

A imagem ficará para sempre nos registos da moda parisiense: um recinto, onde não apenas a arena central está debaixo de água, como também as primeiras filas estão submersas. A Balenciaga afogou os lugares mais cobiçados da fashion week e, ao mesmo tempo, obrigou os jornalistas mais especializados da indústria a desenvencilharem-se algures na terceira fila. No teto, uma tela cujas projeções eram refletidas pela água. Os manequins caminharam sobre este campo inundado e o resultado final foi tão espetacular como apocalítico. Mas a metáfora de um mundo a afundar esteve acompanhada por uma “celebração da moda”, nas palavras de Demna Gvasalia ao The Guardian. O designer partiu da sua “obsessão fetichista por padres e jogadores de futebol” e conduziu a coleção seguindo esses dois eixos. Pelo meio houve fatos, ombros pontiagudos, licras e equipamentos de automobilismo, numa viagem difícil de explicar.

Valentino e a inclusão

“Quis retratar o momento, sem categorias. A moda tem de registar e abraçar as grandes mudanças. Temos de encorajar a tolerância e a igualdade”, afirmou Pierpaolo Piccioli à revista Vogue, nos bastidores do desfile do último domingo. A coleção pintou-se com uma dosagem invulgar de negro. Na sobriedade da ausência de cor, o designer da Valentino procurou abrir espaço para a individualidade. Na passerelle, instalada no Louvre, pisaram musas como Irina Shayk, Mariacarla Boscono, Natasha Poly, Anja Rubik, Kaia Gerber e Adut Akech, mas também homens, manequins transgénero e mulheres com corpos reais. O sobretudo foi a estrela do desfile, em substituição dos ricos vestidos de noite que deslumbravam tudo e todos à sua passagem. Outrora conhecido pelos estampados exuberantes, pelos volumes e pelo color block, à semelhança de outros criadores, Piccioli parece estar a abraçar um novo minimalismo.

Getty Images

Givenchy, uma nova inspiração portuguesa

Há arte portuguesa no mood board de Clare Waight Keller. Ao lado de posters de filmes da Nouvelle Vague, imagens de arquivo das primeiras coleções de Hubert de Givenchy e imagens de Anouk Aimée, estão trabalhos de Helena Almeida, que talvez tenham pesado na hora de colorir alguns coordenados com laivos de azul, numa coleção onde predominam o branco, o preto e o vermelho. Cerimónia e conforto foram duas faces da mesma moeda. Se as malhas e os vestidos vaporosos vestem a mulher Givenchy no dia-a-dia, restam as plumas e os vestidos com estrutura para as ocasiões verdadeiramente especiais.

LUCAS BARIOULET/AFP via Getty Images

Stella McCartney e o manifesto vegan

O momento foi simbólico. No final do desfile de Stella McCartney, em Paris, dois coelhos, uma raposa, um cavalo, duas vacas e um crocodilo invadiram a passerelle, juntamente com as manequins. Eram disfarces dignos de Carnaval, ou de uma festa infantil, e permitiram à designer britânica apontar a mira ao uso de peles de animais por parte da indústria da moda. Desde a criação da marca, em 2001, que McCartney recusa usar couro, pelo, penas, peles e colas de origem animal nas suas coleções. Mas a mensagem não foi escolhida ao acaso para esta coleção de outono-inverno 2020/21. No desfile, McCartney apresentou mais alternativas às peles de animais do que em qualquer outra temporada. Os casacos destacaram-se como peça forte, as malhas prometeram aconchego para a próxima estação fria.

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP via Getty Images

Os encantos da nova Chanel

Virginie Viard soma e segue naquela que parece ser a sua missão (a solo) dentro da Chanel: reajustar a maison à luz de um pragmatismo e de uma leveza que espelham a sua noção muito própria de estilo. Desde que assumiu o leme da marca francesa, há cerca de um ano, que as coleções foram deixando cair o glamour inebriante de outros tempos. A que apresentou no Grand Palais na última terça-feira não foi exceção — nada é um must-have imediato, da mesma forma que dificilmente encontraremos nos 72 coordenados o hit da próxima estação. De olhos postos nessa espécie de libertação, Viard deu-nos uma mão cheia de bons motivos para aprendermos a apreciar a nova Chanel, do coordenado verde pastel com que abriu o desfile ao little white dress de laço ao peito. É que no meio de um novo tom, está sempre a herança de Coco Chanel.

Gamma-Rapho via Getty Images

Louis Vuitton, o desfile que reabriu o Louvre

O Louvre pode ter fechado como medida de contenção do novo coronavírus, mas a semana da moda não para e o museu mais visitado do mundo reabriu na última terça-feira, ao fim do dia, para ver desfilar as propostas da Louis Vuitton para o próximo inverno. E valeu a pena, a começar pela envolvente. Como pano de fundo, um coro de 200 pessoas vestidas a rigor por Milena Canonero, de forma a percorrerem 500 anos de história da moda. Afinado e coreografado, este quadro do passado abriu caminho para a coleção de Nicolas Ghesquière. O seu trabalho de fusão continua apurado — são poucos os que conseguem juntar calças de fato de treino e jaquetas ao estilo toureiro no mesmo coordenado e, ao mesmo tempo, integrá-lo numa coleção de blusões de motocross, blazers, botas para a neve e vestidos de bonecas. Uma miscelânea que encerrou em beleza mais um calendário da moda, em Paris.

AFP via Getty Images

Na fotogaleria, veja imagens dos desfiles que marcaram mais uma edição da Semana da Moda de Paris.

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