A Cofina propôs a resolução do contrato de compra e venda da Media Capital, mas dá sete dias aos espanhóis da Prisa para aceitarem uma modificação dos termos contratuais que permitam “estabelecer um equilíbrio das prestações recíprocas conforme com os princípios da boa-fé”.

Em comunicado enviado esta sexta-feira, o grupo liderado por Paulo Fernandes não revela que alterações considera necessárias para manter o negócio, mas em causa estará mais uma correção no preço da aquisição para refletir os prejuízos extraordinários de 55 milhões de euros anunciados pela Media Capital para o ano de 2019, e que em parte eram justificadas com o reconhecimento de imparidades (perdas) que estavam por identificar nas contas.

Caso as duas partes não cheguem a um acordo para rever o contrato nos termos que a empresa liderada por Paulo Fernandes pretende, então a Cofina avança para a resolução do contrato e diz que vai revelar oportunamente os fundamentos que estarão na base dessa resolução contratual.

A empresa dona do Correio da Manhã esclarece ainda que afinal o insucesso no aumento de capital, comunicado esta semana, não é razão para o contrato caducar. Isto depois de na terça-feira ter sinalizado que devido ao fracasso desta operação não estavam reunidas as condições para concretizar a aquisição da Media Capital. Nesse sentido, a Cofina considera também que não são devidos à Prisa os 10 milhões de euros de caução

Quando foram divulgados os resultados da colocação privada de ações da Cofina, num aumento de capital que pretendia captar 85 milhões de euros, ficou claro que esta operação poderia ter sido concluída com sucesso, com um pequeno reforço do investimento por parte dos investidores que já a tinham subscrito. Faltavam menos de três milhões de euros. Daí que a Prisa tenha manifestado o seu desagrado perante esta opção, recordando que a Cofina tinha afirmando que estavam assegurados os meios financeiros necessários para executar a aquisição. O grupo espanhol afirmava ainda que estava disposto as adotar ações para garantir a execução do contrato de venda da dona da TVI.

A Cofina chegou a acordo com a Prisa em setembro do ano passado para comprar a Media Capital por 181 milhões de euros, numa operação que valorizava a empresa em 255 milhões de euros, incluindo dívida. Meses depois, estes valores foram revistos em baixa de 50 milhões de euros, refletindo a degradação da situação financeira e económica da TVI. Agora para salvar o negócio, a Prisa teria provavelmente de fazer um novo desconto no preço.

A empresa dona do Correio da Manhã anunciou também os resultados de 2019 que se traduziram num lucro de 7,2 milhões de euros, um aumento de 15% face ao ano anterior. As receitas caíram 1,4% para 88 milhões de euros.