Mais de 100 clínicas de hemodiálise do país, que auxiliam diariamente o Serviço Nacional de Saúde (SNS), estão a ficar sem meios de proteção individuais e sem funcionários para os tratamentos. São cerca de 11 mil os doentes insuficientes renais crónicos, cuja média de idade passa os 70 anos, que poderão sofrer as consequência laterais da propagação do coronavírus.

Segundo o presidente da Associação Nacional de Centros de Diálise, Jaime Tavares, estas clínicas recebem 90% dos doentes que todas as semanas fazem diálise. O Serviço Nacional de Saúde apenas assegura nas suas instalações o tratamento aos restantes cerca de 1500. No entanto, tratando-se de um serviço privado, estas clínicas não vão beneficiar das mesmas medidas do serviço público. “Há fabricas a produzir máscaras para o SNS, mas em situação de crise podemos dizer que as clínicas de diálise são SNS”, considera o presidente, por telefone, ao Observador.

Já antes desta pandemia, todos os enfermeiros que ligam estes doentes à máquina do tratamento colocam uma máscara antes. “É básico”, lembra o responsável. Por outro lado, as clínicas estão também a sofrer uma falha nos recursos humanos. “A esmagadora de clínicas trabalham com funcionários em duplo emprego, ou seja a maior parte são funcionários públicos, que aqui trabalham no tempo livre”, lembra. Com os conselhos de administração dos hospitais a quererem reter os trabalhadores, o problema agrava.

Por outro lado, o responsável pela associação que representa as clínicas de diálise também entende que estes funcionários não devem passar dos hospitais para a clínica nesta altura, sob risco de maior propagação do vírus. “Porque não criar-se uma bolsa de profissionais para este trabalho, que não estejam nos hospitais?, sugere,

Jaime Tavares lembra também que o próprio transporte destes doentes é cada vez mais arriscado. È que todos os eles são transportados em carrinhas múltiplas, dividindo o transporte com outro tipo de doentes. “Os transportes deviam ser individuais para evitar as contaminação das clínicas e das próprias famílias”, explica, sugerindo que o Estado possa pagar aos táxis, que agora estão parados, para fazerem o transporte destes doentes.