As mortes estão a ser comunicadas por telefone: “Yolanda, o teu pai morreu devido a insuficiência respiratória”. Foi assim que a filha de um utente daquele que é considerado um dos piores focos conhecidos da doença ficou a saber que o seu pai, de 87 anos, tinha falecido, conta o El País. Trata-se do lar de idosos Monte Hermoso, em Madrid, onde já morreram 19 residentes com Covid-19 — o que já levou até a procuradoria de Madrid a abrir uma investigação.

A certidão de óbito do pai de Yolanda Cumia diz apenas: “Possível infeção por Covid-19″. Isto porque muitos idosos estão a morrer sem sequer terem sido testados para a doença, segundo explica o mesmo jornal.

Isto não pode continuar assim. Não podemos deixar que as pessoas mais velhas continuem a morrer em lares. Que não vá nenhuma ambulância buscá-los. Não lhes fazem os testes, para saber se a morte é por coronavírus ou não”, diz Yolanda Cumia

É uma realidade que se espalha um pouco pelos lares de Espanha. Com mais de mil mortes em todo o país, pelo menos 70 são idosos que morreram em 14 lares ou centros de dia com confirmação ou suspeita de estarem infetados como o novo coronavírus. É uma realidade que está a assustar as autoridades de saúde espanholas — e já preocupa as portuguesas — que debatem se a melhor resposta é evacuar os lares e centros de dia ou transformá-los em hospitais, escreve o El País.

As queixas que chegam de vários familiares são muitas. A principal prende-se com o facto de alegadamente não estarem a ser chamadas para socorrer os idosos. “Ligámos para o 112 mais de sete vezes e nada. Depois de duas horas de espera, eles responderam que não nos podiam ajudar”, disse um familiar ao El País. Outra queixa é o facto de os idosos não estarem a ser testados para o novo coronavírus.

O facto de muitos dos trabalhadores dos lares estarem a deixar de aparecer para trabalhar por receio de ficarem infetados — o que leva a uma espiral de desorganização. Até porque, escreve o El País, há falta de luvas e máscaras para os proteger.

DGS pede aos lares que “se organizem de alguma forma”

Por cá, a realidade não se assemelha à espanhola. Mas ainda na conferência de imprensa desta sexta-feira, a diretora geral da Saúde (DGS) fez um apelo para que “os lares se organizem de alguma forma”. Graça Freitas explicou que o objetivo é, “perante um caso de um doente internado num lar ou que manifeste sintomas como febre, tosse e dificuldade respiratória”, este possa “ser automaticamente retirado de uma zona coletiva e posto num quarto sozinho até fazer um teste”. 

É uma medida de contenção para evitar a propagação [da Covid-19] dentro dos lares”, alertou.

A DGS disse ainda que os lares, sempre que recebam um utente novo, devem “idealmente” colocar em isolamento durante 14 dias esse utente “que vem da comunidade” e “pode vir infetado”