Se o mundo digital tem sido importante em tempos de isolamento contra o surto do novo coronavírus — permitindo trabalhar a partir de casa e aceder a conteúdos importantes sobre a doença — há também o outro lado da moeda: uma maior disseminação de informações falsas que circulam nas redes sociais e que contribuem para lançar o pânico e a desinformação, numa altura em que ainda se está a conhecer e a descobrir este vírus.

Contudo, têm sido várias as medidas que têm sido anunciadas contra as “fake news”: o Facebook anunciou que vai doar um milhão de dólares às entidades que estão a contribuir para que a rede social diminua a propagação de notícias falsas, bem como a criação de um centro de informação no WhatsApp. Também os meios de comunicação social, como é o caso do Observador, estão a combater este problema com a elaboração de fact checks ao que circula na internet. No entanto, é também importante que cada pessoa saiba que existem ferramentas que permitem verificar se uma determinada informação, imagem ou vídeo são verdadeiros.

O La Vanguardia enumerou uma série de medidas e ferramentas que podem ser utilizadas para verificar informações, ainda que não garanta que seja possível determinar sempre se algo é verdadeiro ou falso a partir delas. O primeiro conselho (e um dos mais eficazes) de todos: evitar obter informações através de mensagens enviadas por outras pessoas, por muito que a intenção possa ser informar. Recebeu um áudio que um amigo lhe enviou por WhatsApp com um suposto médico a falar sobre a doença? Ou um vídeo que mostra o pânico dentro do metro por causa do vírus? Confirme sempre a fonte original dessas informações.

No que toca a imagens, a ferramenta do Google Images permite fazer o upload de uma fotografia e pesquisar se existem imagens iguais já publicadas noutros locais, com outro contexto e noutra data. Não é garantido que a imagem seja verdadeira se não encontrar resultados, mas é um passo importante para perceber se aquela informação pode ou não ser falsa. Para aceder a esta ferramenta, basta ir ao site do Google Images, clicar no ícone da câmara fotográfica e fazer a pesquisa através do URL da fotografia ou carregando a imagem a partir do computador. Se aparecer algum resultado, basta carregar na imagem para saber mais informações sobre ela.

A ferramenta do Google Images permite perceber se há imagens idênticas publicadas noutros sites e com outro contexto

Outra ferramenta que também permite verificar imagens e vídeos que circulam nas redes sociais é o InVID, um plugin disponível no Google Chrome e no Firefox. Nesta ferramenta, o utilizador pode carregar uma imagem ou vídeo e o sistema vai indicar a localização original daquelas imagens, a data de criação, miniaturas e quadros-chave. Há também o site TinEye, que permite verificar se as imagens que circulam são duplicadas e, se for o caso, em que sites estão publicadas. No entanto, o banco de imagens deste site é menor do que o da Google.

No caso de se tratar de uma informação em texto, uma das primeiras coisas a fazer deve ser procurar o assunto por palavras-chave. Por exemplo, no Twitter é possível fazer a pesquisa por palavra-chave e saber quais são os sites, pessoas e meios de comunicação que estão a falar sobre o assunto. Se as informações forem escassas e não surgirem em nenhum local de informação que reconheça, então há motivos para suspeitar.

Outra ferramenta que pode dar algumas pistas sobre a veracidade de uma notícia partilhada no Facebook, por exemplo, é o pequeno “i” que surge ao pé das notícias partilhadas no feed. Ao clicar, os utilizadores são redirecionados para fontes como a Wikipédia e agências de notícias que permitem obter mais contexto sobre a fonte que publicou aquele artigo.

O Facebook criou uma ferramenta para dar mais informações sobre a credibilidade de uma fonte de notícias: o “i”