É um dos maiores clubes de futebol do mundo — e o maior da Europa, pelo menos no que diz respeito aos salários que paga: 525 milhões por ano, avança a edição deste sábado do El Mundo. Problema: a balança de rendimentos do Barcelona é demasiado equilibrada, sendo que neste aspeto a equidade não é um benefício.

Em 2019, revela o mesmo jornal, o clube declarou gastos de 973 milhões de euros e receitas de 990 milhões. Não será preciso ser um génio da matemática para perceber que, com o campeonato espanhol e demais competições paradas e sem dinheiro a entrar da venda de bilhetes ou camisolas e, mais importante ainda, das receitas publicitárias e dos direitos de transmissão televisiva, o Barcelona rapidamente ficará sem dinheiro para fazer face às despesas correntes.

Como vários outros clubes de futebol europeus, também o histórico catalão está já a estudar a melhor forma de reduzir salários de jogadores e treinadores. “Queremos acreditar que os desportistas profissionais estão conscientes da situação”, disse este sábado ao El Mundo fonte da direção do clube blaugrana. “Vai ter de ser feito, as opções são sim ou sim. Será melhor se o fizermos de forma voluntária e todos nós contribuirmos.”

A direção do clube já terá estado reunida, em videoconferência, esta sexta-feira, para discutir o assunto, avança o mesmo jornal. Para a semana estão marcados outros encontros, com a Liga espanhola, a UEFA e a Associação de Clubes Europeus, para avaliar a possibilidade de uma medida conjunta de redução de salários, provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Entretanto o Hearts, da Premier League escocesa, antecipou-se e já deu esse passo: na passada quarta-feira Ann Budge, a proprietária do clube, anunciou um “programa de redução salarial” e pediu a todos os colaboradores que aceitassem um corte salarial de 50%. “Pedimos a todos os empregados a tempo inteiro, treinadores, treinadores adjuntos, jogadores e restante equipa de balneário, que aceitem um corte de 50% no seu salário mensal, com efeito a partir do início de abril”, escreveu em comunicado. “Tanto a equipa técnica como os jogadores que se sintam incapazes ou que não estejam dispostos a aceitar esta revisão dos seus contratos terão, naturalmente, a opção de rescisão do contrato.”

O Hearts tornou-se o coração de um problema paralelo da pandemia e há uma nova Iron Lady no futebol: Ann Budge

Pelo mesmo motivo, na Suíça, o Sion, também da primeira divisão e treinado pelo português Ricardo Dionísio, propôs aos jogadores uma alteração de contrato, para “emprego parcial”, igualmente com redução salarial. Nove jogadores, entre eles o ex-sportinguista Doumbia, recusaram e foram despedidos.

Mais compreensivo foi o plantel do alemão Borussia Mönchengladbach: foram os próprios jogadores que sugeriram a medida de redução salarial, revelou o diretor desportivo no site do clube. “Os jogadores abordaram o clube com a oferta de cortes de salários voluntários e equipa técnica, diretores e executivos aderiram de imediato à ideia. Estou muito orgulhoso dos nossos jogadores. Estamos juntos pelo Borussia nos bons e nos maus momentos”, congratulou-se Max Eberl.