Os idosos que permanecem na Amanhã da Criança, residência sénior da Maia onde ocorreram duas mortes devido à Covid-19, vão ser retirados, indicou na quinta-feira à Lusa o presidente da instituição. A transferência dos utentes será feita para uma unidade hoteleira da cidade esta sexta-feira e vai ser assegurada pela Câmara Municipal da Maia.

“Perante a indecisão das autoridades competentes, o município decidiu assumir a responsabilidade de encontrar uma solução. Lamento profundamente a duplicidade de critérios, já que em Famalicão e Vila Real toda essa operação foi assumida pela administração central. A indecisão atrasou a operação que a Câmara Municipal vai agora realizar”, lamentou o presidente da câmara, António Silva Tiago, em comunicado enviado esta sexta-feira às redações.

Os utentes que ainda não o tenham sido serão testados antes da ida para a unidade hoteleira, onde serão mantidos isolados em quartos individuais e acompanhados por pessoal e corpo clínico da instituição. Haverá ainda uma divisão entre infetados ou que estejam a aguardar resultado e os restantes.

Durante este período, o lar será desinfetado e os idosos regressarão à instituição quando estiverem reunidas todas a condições para que tal aconteça.

A operação será coordenada pelo Serviço Municipal de Proteção Civil e é suportada pela Câmara Municipal da Maia.

Em causa está um lar que regista duas mortes, uma no domingo e outra na quarta-feira, devido à pandemia Covid-19, e onde, de acordo com balanço feito cerca das 18h, permaneciam 10 idosos e 10 funcionários infetados, três idosos tinham sido transportadas a hospitais do Porto, e 50 utentes e trabalhadores aguardavam a realização de testes de despistagem do novo coronavírus.

Covid-19. Um utente de 91 anos morreu e duas funcionárias foram infetadas em lar da Maia

Desesperado, José Manuel Correia contou na tarde de quinta-feira aos jornalistas que ponderava uma “medida radical” para que as autoridades de saúde o “acudissem”.

Já liguei para todos os lados, empurram com a barriga desta para aquela entidade. Só me falta colocar os idosos lá fora e pedir que resolvam. O que pedimos para que nos deixem higienizar o lar por completo para depois todos regressarem em segurança para cá”, disse José Manuel Correia.