O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, deu ordens explícitas aos agentes da polícia e a militares para que disparem sobre qualquer pessoa que esteja a causar “problemas”, durante a o isolamento obrigatório decretado a propósito da pandemia de Covid-19.

Numa declaração televisiva emitida na noite de quarta-feira, o Presidente filipino foi claro: “Não hesitarei. As minhas ordens são para a polícia e para o exército, e também para os barangay [órgãos administrativos de bairro]: se houver problemas ou se surgir uma situação em que as pessoas resistem e as vossas vidas estiverem em risco, matem-nos. Compreendem? Mortos. Em vez de provocarem problemas, vou mandar-vos para a cova”, declarou, segundo o site filipino The Rappler.

O anúncio surgiu depois de nesse mesmo dia se ter registado um protesto espontâneo em Sitio San Roque, um bairro de classe baixa em Quezon, com os residentes a saírem à rua e a exigirem apoio económico. Ao todo, 21 pessoas foram detidas.

Lembrem-se, seus esquerdistas: vocês não são o governo”, avisou Duterte no mesmo anúncio televisivo. “Não andem por aí a provocar problemas e motins, porque ordeno que sejam detidos até que este surto de Covid [acabe]”, acrescentou.

Uma das habitantes de Sitio San Roque, que liderou o protesto, explicou à Al Jazeera que o motivo das manifestações prende-se com as dificuldades económicas que foram impostas pela impossibilidade de trabalharem. “Estamos aqui a pedir ajuda por causa da fome. Não nos deram comida, arroz, compras ou dinheiro. Não podemos trabalhar. Viramo-nos para onde?”, questionou Jocy Lopez, que acabaria por ser detida.

As declarações do Presidente já foram criticadas pela Amnistia Internacional, que as classificou como “perigoso incitamento à violência”.

As Filipinas têm neste momento mais de 2 mil casos de infeção por Covid-19 confirmadas. Ao todo, 96 pessoas morreram.