O ministério dos Negócios Estrangeiros publicou esta quinta-feira um comunicado em formato vídeo onde pede aos “compatriotas que residem no estrangeiro, queridos emigrantes e seus descendentes” que não venham a Portugal nesta altura da Páscoa.

Na mensagem partilhada nas redes sociais, Augusto Santos Silva explicou que “a bela tradição” em que “milhares de emigrantes nos visitam para ver os seus e suas famílias”, este ano, “não pode acontecer”, isto porque “a pandemia a isso obriga.”

“Este ano temos de ser muito rigoroso para nos protegermos a nós e aos outros. Este ano não podemos sair das nossas casas a não ser para fins essenciais. Temos de nos manter nas nossas residências e isso quer dizer que os nossos queridos emigrantes que vivem no estrangeiro têm de se manter no estrangeiro, não podem viajar para Portugal”, explicou o governante.

Foi relembrado ainda que quem não aceder ao pedido e tentar deslocar-se para território nacional terá de ficar confinado “e isso seria muito triste.” É feito um apelo à consciência de cada um desses portugueses no estrangeiro para que façam este esforço de modo a que seja possível “vencer a luta contra a pandemia” e reencontrar os entes queridos no futuro. “Até lá, cada um na sua casa e todos unidos nos nossos corações”, concluiu.

Esta mensagem surge depois do próprio António Costa, por exemplo, já ter feito o mesmo pedido na passada quarta-feira, no programa de Cristina Ferreira. A época das festividades pascais costuma fazer mexer muita gente dentro e fora do país e dado o momento sensível de isolamento social adotado para combater o avanço do novo coronavírus, as autoridades estão a fazer de tudo para evitar contágios motivados por este tipo de deslocações.

Governo francês bloqueia estradas para impedir deslocações na Páscoa

O governo francês também já está a tomar medidas relativamente às deslocações nesta altura festiva. Esta quinta-feira anunciou, por exemplo, que vai implementar bloqueios de estrada nos principais acessos do país, colocando ainda o exército e a polícia a controlar estações de comboio e aeroportos.

Também foram dadas ordens às autoridades locais de zonas com bastantes segundas residências ou casas de férias para que controlassem eventuais deslocações não essenciais. Durante esta fase pascal, os franceses são obrigados terem sempre de um documento datado e assinado “sob juramento” que explique o motivo que os leva a sair de casa. O dito documento já tem estatuto legal.

Christophe Castaner, o ministro francês do Interior, foi rígido ao comentar esta situação: “Não há saídas de férias durante o período de confinamento […] as pessoas devem ficar em absoluto confinamento. Qualquer abuso será punido. Sei que o bloqueio é uma restrição para as famílias, mas precisamos de aguentar ”.

Desde 17 de março, data em que começou o confinamento obrigatório, as forças policiais francesas já tiveram de verificar 5,8 milhões de documentos pessoais, adiantou o mesmo ministro. No total já foram emitidas cerca de 359 mil multas (valores entre os 135€ e os 1500€). Todos os cidadãos que ignorem os regulamentos por quatro vezes podem ser multados em 3750€ ou até serem presos por um período que pode ir até aos seis meses.