Com o número de infetados perto de bater os dois milhões em todo o mundo, não faltam vozes que apontam apenas para o próximo ano o surgimento de uma vacina no mercado. Segundo números da Organização Mundial de Saúde, são 70 as que já são candidatas reconhecidas, ainda que estejam em diferentes estágios de desenvolvimento. Na fase pré-clínica estão 67 e as restantes três estão a fazer já testes em humanos.

Por esta altura, a elasticidade do tempo é fulcral: o processo de colocar uma vacina no mercado demora anos, mas, com um vírus que se alastra por todo o mundo, muitos têm procurado condensar o tempo despendido. Na linha da frente posicionam-se investigadores chineses e americanos: a vacina mais avançada no processo clínico está a ser desenvolvida pela CanSino Biologics, uma empresa sediada em Hong Kong, e que está a trabalhar com a colaboração da Academia de Ciências Médicas Militar.

Segundo a televisão americana Bloomberg, o estudo da CanSino recorre a uma injeção experimental em 108 adultos, com idades entre os 18 e os 60 anos. Testada em animais, a avaliação do impacto do corpo humano vai prolongar-se por mais meses e continuará até ao final do ano. Enquanto isso, vão sendo dados passos para a fase seguinte. Como explica o britânico The Guardian, esta Fase 1 estabelece a segurança da vacina num pequeno grupo de indivíduos saudáveis, para descartar efeitos colaterais e testar a capacidade do sistema imunitário de gerar defesas. A segunda e a terceira testam a eficácia em grupos maiores e são feitos onde a doença prevalece naturalmente, havendo também testes a pessoas que pertençam a grupos de risco.

Do outro lado do oceano, é nos Estados Unidos da América que estão a ser exploradas as outras duas soluções em fase avançada. A primeira está a ser desenvolvida pela farmacêutica Moderna Inc. —- que demorou pouco mais de nove semanas a começar um teste clínico com seres humanos. Na fase atual, pretende observar 45 adultos saudáveis durante doze meses, depois de receberem uma segunda injeção de teste. Trata-se de um número de indivíduos submetidos a teste que é parecido ao da segunda empresa com a investigação avançada: a INOVIO.

Na semana passada, esta última comunicou ter recebido permissão das autoridades norte-americanas para avançar para testes clínicos também com voluntários saudáveis: são cerca de 40 pessoas no máximo a serem avaliadas e cada uma receberá duas doses de injeção, com quatro semanas de intervalo. Entre esta, a próxima fase e a chegada ao mercado, é a própria empresa que realça: “A produção de uma vacina Covid-19 nos próximos 12 a 18 meses não é apenas um desafio científico. Também exigirá novos níveis de colaboração e investimento na indústria e no governo”.

Da lista de vacinas candidatas da Organização Mundial de Saúde constam ainda outras 67 que estão em fase pré-clínica e chegam de países como o Reino Unido, Espanha, China, Índia ou Japão. Nesta fase, os investigadores trabalham com simulações do sistema imunitário humano e testam em animais. Preparam-se para a Fase 1: o teste com pequenos grupos de pessoas.

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Entre grandes e pequenos laboratórios, todos procuram a eficácia dos seus projetos e a gestão do próprio entusiasmo. Da Universidade de Oxford, por exemplo, surge a possibilidade de ser lançada uma vacina até setembro. Sarah Gilbert, professora na liderança da equipa de investigadores para a Covid-19, dizia ao The Times estar “80 por cento confiante” de que poderiam conseguir em apenas seis meses.

Os números variam sempre consoante o grupo de alcance e o entusiasmo contém-se quando se fala de uma vacina para as massas. Os 12 a 18 meses normalmente referidos, como foi apontado pela americana INOVIO, tem em conta não só a própria eficácia comprovada da vacina, como também a capacidade de produção das farmacêuticas e a sua regulamentação.