Investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto criaram uma plataforma que, direcionada a outros grupos de investigação, visa diminuir o número de erros na deteção molecular do novo coronavírus.

“A plataforma pretende ajudar os grupos de investigação que, neste momento, estão a dar início a estudos ou a desenvolver métodos mais eficazes no âmbito da Covid-19 e que, de alguma forma, encontraram dificuldades em otimizar os métodos moleculares”, afirmou esta terça-feira João Carneiro, investigador do CIIMAR, sediado em Matosinhos, no distrito do Porto.

O projeto, desenvolvido no âmbito da linha de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) “RESEARCH 4 COVID-19”, envolve também a empresa IDENTIFICA, sediada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC).

Em declarações à Lusa, o investigador explicou que a plataforma, que é de livre acesso e assente num banco de dados, pretende “facilitar a avaliação de métodos moleculares para deteção da SARS-CoV-2”.

Nós já tínhamos desenvolvido trabalho no âmbito das doenças infecciosas, nomeadamente do ébola e do HIV, e tínhamos a plataforma montada para esses dois vírus. Devido à urgência de se estudar cada vez mais o novo coronavírus, decidimos aplicar tudo o que já conhecíamos ao SARS-CoV-2″, adiantou.

Assente em ferramentas de biologia molecular, como os primers [sequência de RNA do vírus usada para a sua identificação], as sondas e genomas diferentes do vírus, a plataforma está em “constante atualização”.

“Estamos constantemente a atualizar a base de dados. Neste momento, temos 52 primers validados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas vamos atualizar e passar a ter mais de 100″, esclareceu o investigador, que coordena o projeto juntamente com Filipe Pereira, diretor executivo da IDENTIFICA.

Ao facilitar a avaliação de métodos moleculares, a plataforma permite que os laboratórios que trabalham no diagnóstico do novo coronavírus “desenhem métodos mais rigorosos, com menos falsos negativos e positivos”.

“A plataforma permite identificar possíveis mutações do vírus que possam afetar a eficiência de ligação de primers e sondas e detetar potenciais falsos positivos resultantes da sua ligação ao genoma de outros coronavírus humanos que não o SARS-CoV-2″, explicou, adiantando que tal significa que se diminui a “probabilidade de deixar pessoas contaminadas pensarem que não estão”.

Com um financiamento de 17.500 euros, este é um dos 66 projetos financiados pela “RESEARCH 4 COVID-19”, que visa responder às necessidades do Serviço Nacional de Saúde.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou perto de 211 mil mortos e infetou mais de três milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Portugal contabiliza 928 mortos associados à Covid-19 em 24.027 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia divulgado na segunda-feira.