Com o número de mortes por Covid-19 no Brasil perto da marca das 10 mil mortes, o presidente Jair Bolsonaro desistiu do churrasco que tinha marcado para este sábado no Palácio da Alvorada, a residência oficial do chefe de Estado brasileiro. Nas redes sociais, o evento ficou rapidamente conhecido como #churrascodamorte.

Aliados do presidente citados (anonimamente) pela Folha de São Paulo indicam que Bolsonaro desistiu da festa na sexta-feira, 8 de maio, anulando os convites que tinha feito a ministros e a outros membros do governo. De acordo com a Folha, não foi apresentada nenhuma justificação para a decisão de desistir do churrasco.

Na sequência da polémica e dos protestos suscitados pelo convite público de Bolsonaro para a confraternização no Palácio da Alvorada, o próprio presidente decidiu dizer que não havia qualquer churrasco, que era uma “fake news” inventada pela imprensa.

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“Alguns jornalistas idiotas criticaram o churrasco FAKE, mas o MLB se superou, entrou com AÇÃO NA JUSTIÇA”, escreveu Bolsonaro nas redes sociais. Uma referência à ação judicial interposta na sexta-feira pelo Movimento Brasil Livre, visando impedir o churrasco. Na ação, o MLB apelava ao juiz que multasse Bolsonaro em 100 mil reais caso o churrasco se realizasse. Esse valor deveria ser, depois, usado no combate ao novo coronavírus.

Quando falou pela primeira vez no churrasco, Bolsonaro disse que estariam convidados cerca de 30 pessoas, a sua equipa ministerial, algo que suscitou críticas por parte de deputados e senadores, por desrespeitar as indicações das autoridades de saúde. Um dia depois, na sexta-feira, já Bolsonaro tinha adotado um tom irónico sobre o churrasco.

O vídeo que colocou no post é sobre este momento mais irónico. Bolsonaro primeiro confirma a existência de um convite para o churrasco no Palácio da Alvorada, mas depois parece brincar com o número total de convidados. Afirma primeiro que já está confirmada a presença de 180 pessoas, depois 210 convidados, mas depois sobe para 300, 500 e – após apelos das pessoas anónimas com que está a falar – acaba por dizer: “está todo o mundo convidado aqui”. “Tem 1.300 confirmados”, diz o presidente brasileiro, chegando depois a contabilizar 3.000 pessoas. Isto enquanto os populares se riem e dizem “mas a [TV] Globo não entra”.

Mesmo no fim do vídeo, Bolsonaro parece dizer que vai “aguentar” e que “não tem churrasco nenhum”, mas é impercetível a frase seguinte.