O primeiro Centro de Responsabilidade Integrada de Oftalmologia Pediátrica, sediado no Hospital D. Estefânia, é lançado esta segunda-feira e visa dar uma resposta atempada e completa às situações de maior complexidade e diferenciação a nível nacional e até internacional.

Lançada no Dia Mundial da Criança, a estrutura do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC) tem como “grande objetivo” aumentar a atividade na área da oftalmologia pediátrica e “deixar de ter listas de espera”, disse à agência Lusa a presidente do centro hospitalar, Rosa Valente de Matos.

Nos últimos dois anos, esta área “esteve um bocadinho parada e o que nós pretendemos é dar-lhe um novo impulso, trazendo novas pessoas para o centro” e que “todas as crianças sejam vistas e acompanhadas dentro dos tempos corretos”, adiantou Rosa Valente de Matos.

O objetivo, salientou é que este centro seja “uma referência a nível nacional e até internacional”, perspetivando-se “uma otimização de referenciação dos doentes, uma garantia de um padrão de elevada qualidade na sua atividade assistencial” e promoção da investigação.

O Centro de Responsabilidade Integrado de Oftalmologia Pediátrica (CRI) é coordenado pelo especialista Eduardo Silva que, em declarações à Lusa, salientou o facto de esta estrutura ser apresentada no Dia Mundial da Criança e em 2020, “o ano da visão perfeita”.

“O olho da criança não é igual ao olho do adulto e, portanto, isso deveria obrigar o especialista” a ter “uma diferenciação mais cuidada dentro da área da oftalmologia pediátrica para proporcionar à criança uma funcionalidade e uma visão que seja o mais perfeita possível”, defendeu Eduardo Silva.

Apesar de responder ao conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Central, o CRI tem uma gestão autónoma que possibilita ter um conjunto de profissionais, médicos e não médicos, que vão permitir dar “uma resposta a todo o sul do país numa área de influência que vai desde Torres Novas até ao Algarve”.

Uma resposta que Eduardo Silva ambiciona alargar às regiões autónomas, aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e a outra comunidade internacional que precise de “algum tipo de resposta” nesta área, “fazendo-o não só de forma presencial, mas dotando este serviço de uma capacidade de resposta em telemedicina”.

O centro pretende dar resposta a todas as áreas da oftalmologia pediátrica, como os estrabismos, disgenesias, catarata pediátrica, glaucomas da infância, patologia de retina e doenças oftalmológicas de natureza genética, infecciosa, traumática ou degenerativa.

Para isso, contará com uma equipa polivalente, que integra médicos com diferenciação em oftalmologia pediátrica e estrabismo, que realizará diagnóstico, tratamento médico e cirúrgico, bem como rastreios populacionais.

Questionado sobre quantas consultas e cirurgias o centro prevê realizar por ano, o oftalmologista pediátrico afirmou que vai depender do número de profissionais e da celeridade com que vai ser possível contratá-los.

“Mas posso dizer que o estado ideal e que estará, se tudo correr bem, pronto até ao final deste ano, envolverá seis oftalmologistas diferenciados nestas áreas de oftalmologia pediátrica e, portanto, eu penso que o número de consultas rondará as 10 mil e penso que o número de cirurgias poderá chegar no mínimo a 250 ainda este ano e a falar só em meio ano de produtividade”, disse Eduardo Silva.

Para Rosa Valente Matos, um centro de responsabilidade integrada na área da oftalmologia pediátrica tem “especial importância”, porque permite que “uma equipa que se está a constituir seja altamente diferenciada, rentabilizando os recursos e estabelecendo parcerias com os cuidados de saúde primários e com outras instituições hospitalares”.