O médico, farmacologista e pioneiro da bioética Walter Osswald morreu esta terça-feira, aos 98 anos, no Porto, indicou a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) numa nota de pesar, que recorda o “homem que uniu ciência e consciência”.
Natural do Porto, Walter Osswald doutorou-se na FMUP, onde desenvolveu a sua carreira académica, tendo-se jubilado em 1993 como professor catedrático de farmacologia e terapêutica geral.
Após a reforma, dedicou-se ao estudo, ensino e investigação em bioética, “área que ajudou a introduzir e a consolidar em Portugal”, onde fundou e dirigiu o Gabinete de Investigação em Bioética e o Instituto de Bioética da Universidade Católica.
Foi igualmente detentor da cátedra Unesco de Bioética e autor de cerca de 600 artigos, metade dos quais de investigação.
Osswald foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada, a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, a Comenda, com placa, da Ordem de São Gregório Magno da Santa Sé, a Medalha de Ouro do Ministério da Saúde e o título de “Doutor Honoris Causa” pela Universidade de Coimbra.
A FMUP recorda o “homem que uniu ciência e consciência, rigor e humanidade, pensamento e compaixão” e “alguém que não apenas estudou a ética, mas a viveu, que não apenas ensinou medicina, mas ensinou a ser médico”.
Numa nota de pesar, a Ordem dos Médicos destaca “o legado que continuará a inspirar médicos, estudantes e todos aqueles que defendem uma medicina assente no conhecimento, na ética e no respeito pela pessoa”.
“O seu pensamento ajudou a afirmar uma medicina cientificamente rigorosa, eticamente responsável e profundamente humana. Deixa-nos um exemplo de integridade, sabedoria e serviço, que continuará a inspirar sucessivas gerações de médicos”, afirmou, citado na nota, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.