O governo austríaco pretende remodelar a casa onde Adolf Hitler nasceu, a 20 de abril de 1889, para a transformar numa esquadra de polícia. O projeto tem como objetivo eliminar qualquer referência aos crimes cometidos em nome do nazismo e, ao mesmo tempo, impedir que o prédio se mantenha num local de peregrinação para os neonazis.

“Foi a simplicidade deste projeto que nos convenceu”, explicou Robert Wimmer, o presidente do júri que, entre as 12 propostas apresentadas a concurso, escolheu o futuro design. A habitação, localizada no centro da cidade de Braunau am Inn, junto à fronteira com a Alemanha, foi assumida pelo Governo em 2016. Cabe, agora, aos irmãos austríacos Stefan e Bernhard Marte a remodelação do edifício, que custará ao Estado cerca de 5 milhões de euros e deverá ficar concluído até o final de 2022.

Grande parte da estrutura original da casa vai permanecer intacta. A placa evocativa no exterior do prédio será removida e poderá vir a ser exibida num museu. Embora Hitler tenha passado pouco tempo da sua vida em Braunau, a casa ainda era um ponto de atração para muitos nazis. Como esquadra de polícia, vai conseguir passar uma imagem de “guardião dos direitos de liberdade”, disse o ministro do Interior, Karl Nehammer, em conferência de imprensa. “Um novo capítulo será aberto para o futuro a partir da casa de nascimento de um ditador e assassino em massa”, acrescentou.

Nehammer explicou, ainda, que, após a anexação da Áustria pelo Terceiro Reich, em 1938, o prédio foi adquirido pelo Partido Nazi e renovado “para expressar mais poder”. O projeto vencedor, apresentado esta quarta-feira, mantém a estrutura original do local, mas com “uma aparência muito reduzida, neutra”.

O estado austríaco tenta há décadas – nem sempre com sucesso – impedir que o edifício se torne num santuário para os nostálgicos do nazismo. Por esse motivo, em novembro passado, o governo interino, formado então por especialistas sem filiação política, decidiu instalar uma esquadra lá, com o objetivo explícito de remover qualquer vestígio de nazismo.

Na verdade, o uso a dar ao velho edifício construído no século XVII nunca foi consensual. Muitos defenderam, ao longo dos anos, que devia, pura e simplesmente, ser demolido, tal como aconteceu com outras propriedades que pertenceram ao ditador, sempre com o objetivo de impedir cultos nazis. Outros sugeriram que o prédio fosse aproveitado para obras de cariz social ou mesmo centros de reconciliação entre povos.

A casa mantinha-se vazia desde que o estado, em 2016, conseguiu encerrar a disputa judicial com o anterior proprietário, que chegou até o Supremo Tribunal. A família da proprietária exigia 1,5 milhões de indemnização mas em junho, depois de esgotados todos os recursos, o tribunal fixou o valor final em 811 mil euros.