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Silêncio. É a primeira palavra que nos vem à cabeça quando se entra num estádio sem adeptos. Mesmo que, nesse mesmo estádio, uma música comercial da qual todos conhecemos pelo menos o refrão esteja a tocar a partir das colunas. A imensidão de um estádio, entre relvado, bancadas, balizas e o céu azul que se vê na abertura, costuma ser colmatada pela presença de adeptos. Um estádio cheio, com a lotação esgotada, torna-se pequeno — chega a asfixiar, se fizermos parte da equipa adversária. Um estádio vazio, sem ninguém para apoiar, é imenso. E silencioso.

Era assim que, esta quinta-feira, estava o Estádio da Luz. Uma música tocava nas colunas, os jornalistas subiam escadas acima para se sentarem nos lugares a eles destinados, Bruno Lage passeou pelo relvado e os primeiros jogadores apareceram para os primeiros exercícios de aquecimento. Ninguém cantou, ninguém gritou, ninguém aplaudiu. Na subida, para uma das zonas mais altas do estádio, era impossível não olhar para trás, por cima do ombro — para ter a certeza de que não estava mesmo lá ninguém. De repente, o tempo parou. Ainda que a sensação de que o tempo estava a correr lá fora mas tinha congelado cá dentro se tenha dissipado progressivamente com o aproximar do apito inicial.

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