Sebastian Vettel tem 32 anos — completa 33 no próximo dia 3 de julho. Nasceu no final dos anos 80, está longe da idade com que os pilotos de Fórmula 1 costumam começar a pensar no final da carreira e é, em teoria, um dos nomes mais badalados da grelha da principal prova de automobilismo do mundo. Mas há uma coisa em que Mark Webber, antigo colega do alemão na Red Bull, tem toda a razão: Vettel parece mais velho do que realmente é.

Em comparação, Lewis Hamilton tem 35 anos, Raikkonen tem 40, Ricciardo e Bottas têm ambos 30. Sebastian Vettel parece o mais velho de todos — assim como o mais cansado de todos. E essa é precisamente a teoria de Webber, antigo piloto que passou cinco temporadas ao lado do alemão na Red Bull, e que acha que os últimos anos que Vettel passou na Ferrari estão em tudo relacionados com esse “envelhecimento” repentino. “Acho que este casamento o esgotou realmente. Ele não parece ter a idade que tem, já lhe disse isso várias vezes. Teve um bom percurso, difícil, mas acho que está simplesmente desgastado”, disse o inglês numa entrevista ao podcast “At The Controls”.

Sebastian Vettel deixa a Ferrari no final da temporada

Vettel vai deixar a Ferrari no final desta época, tendo já como substituto confirmado o espanhol Carlos Sainz, e ainda não se sabe qual o futuro do alemão: Ricciardo segue para a McLaren, para render Sainz, e deixou livre um lugar na Renault, que tem Fernando Alonso como principal pretendente. Contas feitas, o mais provável é que Vettel decida tirar uma espécie de ano sabático, algo que Webber vê como uma boa ideia por achar que o alemão é “demasiado jovem para se retirar”. Depois de ter sido campeão do mundo quatro vezes seguidas na Red Bull, Vettel nunca conquistou o título em cinco anos de Ferrari — e Webber acha que tudo se tratou de um choque de culturas.

“O Sebastian fez todos os possíveis para preparar a equipa e para ter a possibilidade de ganhar um Mundial nos últimos anos, mas não conseguiu. Acho que a confiança dele acabou por ser abalada, muito devido à falta de entendimento que tinha com a cultura italiana, isso foi algo muito importante. Há uma espécie de maneira alemã de fazer as coisas, que chega a um limite robótico. Os ingleses, australianos, neozelandeses ou sul-africanos estão num patamar intermédio. E depois estão os latinos, que estão no outro extremo”, defendeu o antigo piloto inglês.

O carrossel da Fórmula 1 que escolheu Sainz, agarrou Ricciardo, pode recuperar Alonso e deixar Vettel sem lugar

Certo é que, com choque de culturas ou não, Sebastian Vettel nunca conseguiu estar à altura de Hamilton, perdeu quase sempre para Bottas ou Rosberg e na última temporada até caiu para a sombra de Charles Leclerc. Em 2021, ainda não se sabe o que o alemão vai fazer — mas talvez decida recuperar alguns dos anos que deixou que passassem por si.