Se a Tesla surpreendeu o mercado ao fazer saber que estava a desenvolver uma bateria para 1 milhão de milhas, a chinesa Contemporary Amperex Technology Ltd. (CATL, sua fornecedora) surpreende agora muito mais, ao confirmar ter tudo a postos para avançar com a produção em série de uma revolucionária bateria, com 16 anos de longevidade e apta a percorrer mais de 1 milhão de milhas. Em concreto, 1,24 milhas – o equivalente a 2 milhões de quilómetros.

Embora seja pública a relação comercial entre as duas empresas e as informações avançadas por fontes da Tesla, em Maio, indicassem que a companhia de Elon Musk estava a trabalhar na bateria para 1 milhão de milhas com a CATL, não é evidente se se trata ou não do mesmo acumulador, nem houve qualquer esclarecimento nesse sentido.

A confirmação de que a bateria para 2 milhões de quilómetros está pronta para entrar em produção foi dada pelo próprio chairman da CATL, em entrevista à Bloomberg. Zeng Yuqun garantiu ainda que a nova tecnologia será apenas 10% mais cara do que a média das baterias para veículos eléctricos que estão no mercado, o que (a vir a concretizar-se) representa um tremendo salto na competitividade dos carros eléctricos face aos convencionais, atendendo a que o acumulador é o componente mais caro deste tipo de veículos.

Até agora, o mercado dos veículos eléctricos a bateria move-se à conta de acumuladores de iões de lítio que, na generalidade, contam com uma garantia do fabricante de oito anos ou 250 mil quilómetros, resistindo a cerca de 3000 ciclos de carga. O que significa que a bateria da CATL não só duplica o tempo de vida do acumulador, por um lado, como promete resistir a uma quilometragem oito vezes superior. Tudo isto com um agravamento de “apenas” 10% do custo da bateria e todas as vantagens económicas e ambientais e económicas que isso representa, na medida em que se estes acumuladores são capazes de exceder a vida útil de um veículo, podem depois ser reutilizados numa segunda vida.

A CATL é o maior fabricante de baterias do mundo. Além de fornecer a Tesla e a Volkswagen, trabalha também para marcas como a Mercedes, Toyota, Honda, Volvo e BMW, a que junta ainda diversos construtores chineses. Admitindo que a nova bateria agora anunciada é a que estava a ser desenvolvida em conjunto com a Tesla, como tudo leva a crer que sim, convém recordar que a estratégia da marca de Palo Alto passa por lançar essa tecnologia primeiro no mercado chinês. A ideia de Musk será usar estas baterias de longa vida e baixo custo nos Model 3 aí produzidos, num movimento que vai aproximar – como até agora não aconteceu – o preço dos veículos eléctricos dos seus concorrentes a gasolina, acenando ainda com o benefício de usar posteriormente estes acumuladores na rede eléctrica. E não será preciso esperar muito para saber se esta revolução vai mesmo acontecer, pois os planos da Tesla apontam para o final deste ano ou, o mais tardar, o início do próximo. Um agendamento que, mais uma vez, coincide com as recentes revelações da CATL.