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Um médico infetado com o novo coronavírus morreu esta quinta-feira no Hospital de São José, em Lisboa. A informação, avançada pelo Público, foi confirmada ao Observador pelo presidente da Federação Nacional de Médicos (FNAM), Noel Carrilho. Trata-se da primeira morte conhecida de um médico por Covid-19 em Portugal.

Segundo o Público, o profissional de saúde, de 68 anos e especialista em medicina geral e familiar, teria sido infetado por um colega. O médico colaborava com a equipa de gastroenterologia do Hospital Curry Cabral, que pertence, tal como o São José, ao Centro Hospitalar de Lisboa Central, mas não fazia parte dos quadros da instituição, de acordo com o mesmo jornal. Estava internado há mais de 40 dias na unidade de cuidados intensivos. Não teria fatores de risco associados.

Em declarações à Rádio Observador, Noel Carrilho apontou que são estes “os riscos de trabalhar com estes doentes [infetados pela Covid-19]”. “Esperaríamos que pudéssemos passar por este surto sem esta infelicidade mas tal não foi possível”, disse o responsável, acrescentando que era, no entanto, expectável que o contrário viesse a acontecer.

Médico morre com covid-19 em Lisboa. “Isto vem retratar da forma mais infeliz aquilo que é o risco que correm os médicos”

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“Isto vem retratar da forma mais infeliz e concreta possível o risco que os médicos correm, para qual a FNAM tem chamado a atenção. Uma mensagem que tem sido difícil passar para o Ministério [da Saúde]. Insistem em não reconhecer e não valorizar este risco.” Para Noel Carrilho, a valorização dos médicos pela tutela tem de ser concreta.

Tecendo críticas às declarações do primeiro-ministro, o responsável referiu que “este reconhecimento de jogos de futebol como reconhecimento pelo trabalho dos profissionais de saúde nem merece comentários. Contrasta com a dureza desta realidade que é trazida pela morte deste médico”. A FNAM quer que seja reconhecida de forma concreta o risco dos médicos e compensado com regime de penosidade e risco.

Ordem, Ministério da Saúde e Marcelo Rebelo de Sousa lamentam morte

Numa nota enviada às redações, a Ordem dos Médicos (OM) manifestou o seu pesar pela morte do clínico, endereçando as condolências à família. O bastonário da OM lembra que, “por infeliz coincidência”, este profissional faleceu no dia em que se assinalou o Dia do Médico.

“Por uma infeliz coincidência, este médico perdeu a vida no dia em que celebramos o Dia do Médico. Que honremos todo o seu esforço e dedicação aos doentes continuando todos nós, como profissionais e como sociedade, a enfrentar esta pandemia com responsabilidade, seriedade e com todos os meios necessários ao nosso alcance”, diz Miguel Guimarães.

O Ministério da Saúde também lamentou esta sexta-feira a morte do médico e endereçou os votos de pesar à família e amigos deste profissional.

O Presidente da República lamentou hoje a morte de um médico com covid-19 em Portugal e a esse propósito defendeu que os profissionais de saúde merecem os adequados meios e carreiras no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Numa nota publicada no portal da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que esta morte “na frente de combate” à Covid-19 vem lembrar “a grande dedicação e risco dos profissionais de saúde na luta contra a pandemia, que pode mesmo atingir o sacrifício supremo da vida”.

Todas as palavras não são demais para sublinhar e elogiar este esforço, que merece mais do que palavras e reconhecimento, merece os adequados meios e as adequadas carreiras no seio do SNS. E também nos lembra que a pandemia ainda não está dominada e que as medidas de precaução continuam a impor-se”, acrescentou o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa apresentou “sentidas condolências” à família e amigos do médico.