O incêndio que deflagrou na sexta-feira numa zona de mato, em Aljezur, e que se dirigiu para os concelhos vizinhos de Vila do Bispo e de Lagos, foi dado no sábado como dominado, pelas 9h10. No entanto, pelas 20h00, a Proteção Civil fez um ponto de situação e disse que, ao fim de 30 horas de fogo, o vento continua a ser a principal preocupação. Este domingo, o dispositivo de combate ao incêndio vai manter-se no terreno para “reagir a eventuais reativações”, disse à Lusa uma fonte da Proteção Civil.

Segundo a fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, “o incêndio mantém-se dominado”, mas “o quadro meteorológico” para este domingo exige que todo o dispositivo se mantenha no terreno.

“Ontem [sábado] tivemos um dia caracterizado por algumas reativações que mereceram um maior empenhamento”, mas o dispositivo teve “capacidade de reagir àquilo que foram as situações mais preocupantes”, mantendo o “incêndio dominado com as ações de consolidação da extinção a acontecer e acompanhado por uma vigilância ativa”.

“O dia de hoje vai-se manter no mesmo registo, até porque o quadro meteorológico assim o exige”, disse a fonte do CDOS de Faro.

Às 07:30 deste domingo, estavam no terreno 453 operacionais, apoiados por 157 meios terrestres. “Há um fator que tem condicionado o desenvolvimento deste incêndio desde a primeiro hora: o vento, com grande intensidade. Felizmente e dada a complexidade e a violência deste incêndio não temos a registar qualquer dano pessoal”, disse Vítor Vaz Pinto, comandante da Proteção Civil no distrito de Faro

Embora o incêndio esteja dado como controlado, ainda não está extinto, com alguns reacendimentos registados durante a tarde de sábado que  mantiveram inalterada a operação montada desde a tarde de sexta-feira. Chegaram a estar envolvidos nove meios aéreos.

Budens e Barão de São Miguel com possível reacendimento durante a tarde

No sábado à tarde, a preocupação mantinha-se entre a população, como no caso de João Conceição, que a equipa de reportagem da Lusa encontrou entre Budens e Barão de São Miguel à procura de um telefone para alertar os bombeiros sobre um possível reacendimento.

“Já está a arder ali outra vez, o fogo já lá tinha passado, mas agora está a reativar outra vez”, disse João Conceição, referindo que se mostrou “apreensivo pela família da namorada, que é de Budens”, mas foi rapidamente tranquilizado por um carro de comando dos bombeiros que passou na zona e garantiu que já estavam equipas a tratar da reativação que tinha indicado.

Paula Costa também se mostrou “preocupada com a força do vento” e destacou o trabalho dos bombeiros, que têm “trabalhado sem parar” para defender casas dispersas que existem na zona.

Incêndio dominado, mas não extinto

Um incêndio é dado como “dominado” quando há meios “em todo o perímetro do incêndio”, não sendo expectável que as chamas ultrapassem esse perímetro. “Contudo, se tivermos uma reativação forte e que ultrapasse a capacidade de de combate dos operacionais, poderá voltar a estar ativo”, disse o segundo comandante, Abel Gomes, do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro.

O comandante acrescentou ainda que todas as pessoas que foram retiradas de casa por precaução estão com familiares e revelou que houve “algumas estruturas danificadas”, como estruturas de madeira e autocaravanas que estavam na frente de fogo”.

O incêndio tinha, no início da manhã de sábado, um perímetro de 25 km e uma área de extensão de 9 km de comprimento, “desde a cauda até à cabeça”. Está a ser afetada um “zona de mato, um povoamento de eucalipto e pinheiro”.

Na sexta-feira, por precaução algumas pessoas foram aconselhadas a sair das suas casas, tendo sido reencaminhadas para a Aldeia de Pedralva, mas a situação já está regularizada.

“As pessoas já regressaram às suas habitações e outras, como estavam em autocaravanas, deslocaram-se para outros locais”, disse a mesma fonte.

Ao início da tarde de sexta-feira, o incêndio chegou a ter três frentes ativas a progredir com “grande intensidade”, e a Proteção Civil deslocou habitantes de casas que estavam na frente de fogo para a Aldeia da Pedralva, uma aldeia rural do concelho de Vila do Bispo que já foi habitada por mais de 100 pessoas, mas cujas 24 casas são usadas, desde 2010, para fins turísticos.

O incêndio deflagrou em Aljezur, no distrito de Faro, tendo-se depois dirigido para os concelhos vizinhos de Vila do Bispo e de Lagos.

Segundo disse o autarca José Gonçalves à agência Lusa pelas 23:35 de sexta-feira, o fogo “não fez muitos estragos” no seu concelho, tendo “ardido algum mato, mas nada de muito relevante”.