A Associação de Dinamização da Baixa Pombalina demonstrou esta terça-feira preocupação relativamente às medidas mais restritivas aprovadas na segunda-feira pelo Governo para a Área Metropolitana de Lisboa, considerando que podem ser negativas para o negócio.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da entidade, Vasco Melo, revelou algum medo por causa da falta de procura nas lojas da Baixa-Chiado.

“Tudo o que é feito para conter o vírus – da nossa perspetiva – é positivo, se isso depois se vai traduzir numa diminuição ainda maior do número de pessoas – consumidores – que venham à nossa Baixa e ao nosso Chiado, isso pode ser negativo”, realçou o dirigente.

Vasco Melo falava sobre o diploma que entrou esta terça-feira em vigor e que dá conta do encerramento de “todos os estabelecimentos de comércio a retalho e de prestação de serviços, bem como os que se encontrem em conjuntos comerciais”, às 20h, na Área Metropolitana de Lisboa (AML).

A exceção são os restaurantes “exclusivamente para efeitos de serviço de refeições no próprio estabelecimento” e também os restaurantes com serviço de take-away ou entrega no domicílio, “os quais não podem fornecer bebidas alcoólicas no âmbito dessa atividade”.

Para o vice-presidente Associação de Dinamização da Baixa Pombalina, dar um passo atrás não é muito positivo, mas as medidas do Governo foram tomadas de “forma racional”, no sentido de proteger as pessoas.

O Governo, ao tomar esta atitude, deverá tê-lo feito fundamentadamente, deverá tê-lo feito de forma racional e na proteção de nós todos, e isso é o que nos interessa”, referiu, indicando que os empresários estão a “implementar todas medidas que são definidas pela Direção-Geral da Saúde”.

Não querendo entrar na discussão, se é altura certa ou não para introduzir novas medidas, Vasco Melo salientou que as empresas têm feito um esforço para passar uma mensagem positiva aos consumidores.

“Estão todos a fazer um esforço enorme para que haja maior aplicação de todas as indicações da Direção-Geral da Saúde”, disse, acrescentando que “todas as normas estão a ser implementadas pelos empresários”.

Revelando preocupação com a situação, Vasco Melo referiu ainda que o facto de haver manifestações na Baixa lisboeta, com grande aglomeração de pessoas, pode prejudicar os estabelecimentos comerciais e os serviços.

“Há uma coisa muito interessante que é que todas manifestações são na Baixa. Aqueles que vêm para a Baixa fazer as manifestações – provavelmente alguns – indicam como sendo a causa do alastramento da Covid na Baixa”, observou, concluindo que nem sempre as pessoas estão a ver como prejudicam os outros, com “determinadas atitudes”.

Na segunda-feira, o Governo aprovou um diploma com medidas mais restritivas para a Área Metropolitana de Lisboa devido ao aumento dos casos de Covid-19, que entrou esta terça-feira em vigor às 0h, estabelecendo que quem desobedecer pode incorrer em crime de desobediência.

O crime de desobediência é punido no Código Penal com prisão até um ano ou 120 dias de multa.

Numa resolução aprovada na noite de segunda-feira e publicada no Diário da República, o Governo limita ainda a um máximo de 10 pessoas, salvo se pertencerem à mesma família, “o acesso, circulação ou permanência de pessoas em espaços frequentados pelo público, bem como as concentrações de pessoas na via pública” na Área Metropolitana de Lisboa (AML).

A venda de bebidas alcoólicas é também proibida “nas áreas de serviço ou nos postos de abastecimento de combustíveis” da AML.

O consumo de bebidas alcoólicas é ainda proibido “em espaços ao ar livre de acesso ao público”, exceto nas esplanadas dos estabelecimentos de restauração e bebidas devidamente licenciados, que apenas se podem manter abertos até às 20h.