A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola repudiou o que disse ser “ataques xenófobos” por alegados ex-pastores da instituição, que na segunda-feira invadiram dezenas de templos, e pediu a intervenção das autoridades.

Num comunicado divulgado na sua página do Facebook, a IURD sublinha que é oficialmente reconhecida em Angola desde 17 de julho de 1992 e acusa os ex-pastores de “práticas e desvio de condutas morais e, em alguns casos criminosas, contrárias aos princípios cristãos exigidos de um ministro de culto”.

Na segunda-feira, um grupo de pastores angolanos da IURD tomou a direção de vários templos, incluindo 30 em Luanda, mas também em Benguela, Huambo e Malanje, afastando a gestão brasileira com a qual rejeitam “qualquer tipo de negociação”.

Em declarações à Lusa, um dos pastores dissidentes, Silva Matias, afirmou que “há um conflito interno muito grande na Universal”, pelo que foi tomada a decisão de rutura com a ala brasileira.

O pastor angolano adiantou que foram constatados “inúmeros crimes cometidos pela gestão brasileira”, apontando a evasão de divisas, branqueamento de capitais e racismo.

Em reação, a IURD de Angola acusou os dissidentes de, “tomados por um sentimento de ódio”, terem usado “ataques xenófobos” e agredindo e ferindo pastores, esposas de pastores e funcionários, “usando a violência com o objetivo de tomar de assalto a igreja com propósitos escusos”.

Apelaram, por isso, às autoridades competentes para “que corrijam” eatas práticas “definitivamente”, afirmando estarem a prejudicar “milhares de famílias que encontram o conforto e socorro através da fé cristã”, e pedem a reposição da legalidade.

A Lusa contactou as autoridades policiais para saber se a IURD apresentou queixa contra a ocupação dos templos, tendo sido remetidos esclarecimentos para mais tarde.

Segundo a IURD, há atualmente em Angola 512 pastores, dos quais 419 angolanos, 65 brasileiros, 24 moçambicanos e quatro são-tomenses.