Depois de uma longa sucessão de teasers, caiu finalmente o véu que cobria a nova geração do Opel Mokka, SUV que por cá nunca triunfou nas vendas por ter arrancado comercialmente com a penalização de ser considerado classe 2, no antigo esquema de cobrança de portagens nas auto-estradas portuguesas. Contudo, lá fora, o compacto alemão é alvo de uma procura que o eleva ao estatuto de bestseller e, agora, surge mais apetrechado do que nunca para continuar a defender esse “título”.

Assente numa nova plataforma (a Common Modular Platform da PSA) e até 120 kg mais leve, o novo Mokka aposta num design mais impactante, num interior mais sofisticado e em tecnologias pouco habituais no segmento. Estreia-se numa variante puramente eléctrica, que anuncia 322 km de autonomia, de acordo com o ciclo europeu de homologação de consumos e emissões WLTP.

Com um comprimento de 4,15 metros, ou seja, 12,5 cm mais curto do que o modelo que vem substituir, o novo SUV da Opel usufrui de um ligeiro acréscimo na distância entre eixos (+2 mm) e, segundo a marca, a bagageira sai pouco penalizada com as medidas mais compactas, anunciando 350 litros, o que significa que perde apenas 6 litros face à anterior volumetria.

Exibindo uma estética mais moderna, o B-SUV germânico é o primeiro a incorporar a nova frente da Opel, que doravante a marca vai integrar em todos os novos modelos a serem lançados nesta década. O chamado Opel Vizor sobressai na secção dianteira, mas está longe de ser a única novidade desta nova geração do Mokka que, para começar, regressa às origens ao retomar a designação com que o modelo foi lançado em 2012, agora com um novo lettering. O Mokka perdeu o X, mas ganhou um “E” pois, pela primeira vez na sua curta história, vai passar a disponibilizar uma variante exclusivamente a bateria.

A plataforma e-CMP da PSA tem novo cliente

O novo Mokka-e vai ser comercializado a par das alternativas tradicionais, com motores a gasolina e a gasóleo. E, à semelhança do que acontece com o mano “e-2008”, monta no eixo dianteiro um motor eléctrico que fornece 100 kW (136 cv) de potência e 260 Nm de binário máximo. A alimentá-lo está uma bateria de 50 kWh, capaz de lhe garantir os mencionados 322 km de autonomia, se adoptado o modo de condução Normal, que reduz a potência para 109 cv, existindo depois mais dois modos distintos: Eco, com 82 cv e Sport, com 136 cv. Preparado para todas as opções de recarregamento, seja o sistema monofásico ou trifásico de 11 kW, com wallbox, seja por cabo numa tomada doméstica ou num posto de carga rápida (aceita potências até 100 kW em DC), situação em que obtém 80% da carga em meia hora, o novo Mokka-e oferece uma garantia de oito anos para a bateria, tal como é habitual na oferta eléctrica da PSA e de outros construtores.

O interior foi revisto sob o prisma da simplificação, com a marca manter botões físicos apenas para funções essenciais, como o controlo da climatização, com o argumento de que assim se evitam distracções ao volante. Em substituição dos tradicionais comandos surge o Pure Panel, composto por dois ecrãs com dimensões até 10 e 12 polegadas, combinando assim o painel de instrumentos digital com um display táctil ao centro, que se encontra ao serviço do sistema multimédia, compatível com Apple CarPlay e Android Auto.

No que respeita ao equipamento padrão, todas as versões contam com câmara traseira panorâmica de 180 graus, travão de estacionamento eléctrico, reconhecimento de sinais de trânsito e iluminação LED à frente e atrás, sendo que os faróis podem ser IntelliLux de matriz de LED, formados por 14 díodos para criar um feixe de luz que se adapta às condições de circulação, o que permite circular sempre em “máximos”, mas sem incomodar os restantes utilizadores da via ou peões. Além desta estreia no segmento, destaque para o facto de o Mokka oferecer o nível 2 de condução autónoma, ao combinar o cruise control adaptativo, com função ‘Stop&Go’, com um sistema de posicionamento activo na faixa de rodagem, o que lhe permite evoluir “sozinho” no pára-arranca da cidade ou nas viagens mais longas em auto-estrada.