O líder do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou esta sexta-feira uma série de alterações às políticas da rede social no que diz respeito ao controlo do discurso de ódio, depois de um conjunto de grandes empresas terem decidido deixar de anunciar na rede social.

Uma das empresas a fazê-lo mais recentemente foi a Unilever, que comercializa marcas como a Dove e outras de grande consumo. “Tendo em conta o nosso quadro de responsabilidade e a atmosfera polarizada nos EUA, decidimos que, a partir de agora e até ao final do ano, não vamos colocar anúncios nas plataformas do Facebook, Instagram e Twitter nos EUA“, disse o vice-presidente executivo Luis Di Como.

A empresa veio juntar-se a mais de uma centena de marcas que já decidiram boicotar o Facebook, retirando os anúncios da plataforma, incluindo a Verizon. As marcas argumentam que a rede social não está a controlar a forma como é usada para propagar discurso de ódio — e dão o exemplo do Breitbart, uma publicação norte-americana de extrema-direita classificada como fonte fiável de informação pelo Facebook.

Mark Zuckerberg criticado por recusar moderar publicações de Donald Trump

Mark Zuckerberg tem sido alvo de críticas por ter recusado intervir diretamente nas publicações do Presidente dos EUA, Donald Trump, especialmente depois de o Twitter ter começado a colocar alertas e fact-checks junto às publicações de Donald Trump. Zuckerberg chegou a afirmar diretamente que o Facebook tinha “uma política diferente” da do Twitter nessa questão.

O anúncio feito esta sexta-feira pela Unilever fez as ações do Facebook caírem mais de 7% e o boicote generalizado está a colocar grande pressão sobre a rede social, que obtém a esmagadora maioria do seu lucro através da capacidade de segmentar, melhor que outras plataforma, o público alvo da publicidade.

Mark Zuckerberg diz estar “abalado e enojado com a retórica divisória e incendiária” de Donald Trump

Num anúncio surpresa pouco depois das notícias sobre a decisão da Unilever, Mark Zuckerberg revelou que o Facebook passará a incluir uma mensagem semelhante à do Twitter em todas as publicações que violem as políticas da rede social, mas cujo interesse público justifique que continuem online — uma referência ao que o Twitter fez com os tweets de Trump.

A rede social vai ainda incluir uma ligação para uma página interna sobre eleições, com informações sobre os candidatos e outros temas, em todas as publicações cujo tema seja uma eleição — incluindo as feitas por políticos. Além disso, todas as publicações que “possam levar à violência ou a privar as pessoas do seu direito de votar” vão ser removidas, independentemente do autor.