Vários responsáveis de grupos de defesa de direitos civis norte-americanos criticaram esta terça-feira o fundador da plataforma de conteúdos digitais Facebook, Mark Zuckerberg, por se recusar a moderar mensagens polémicas do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Estamos desapontados e surpreendidos com as explicações incompreensíveis de Mark pela decisão de manter as publicações de Trump”, afirmaram Vanita Gupta, Sherrilyn Ifill e Rashad Robinson, líderes de três grandes organizações de direitos civis no Estados Unidos.

A reação dos ativistas acontece depois de uma conversa telefónica, na noite de segunda-feira, com Zuckerberg e Sheryl Sandberg, a número dois do Facebook.

“Ele [Mark Zuckerberg] não demonstrou compreensão das restrições históricas e contemporâneas ao direito de voto e recusa-se a reconhecer até que ponto o Facebook facilita os apelos de Trump na violência contra os manifestantes”, disseram os três responsáveis.

“Agradecemos aos líderes dos grupos de direitos cívicos terem partilhado os comentários francos e honestos com Mark e Sheryll. Este é um momento importante para escutar e esperamos poder continuar essas conversas”, respondeu um porta-voz do Facebook, acerca do telefonema de segunda-feira à noite.

A rede social decidiu não mexer nas mensagens do Presidente norte-americano sobre a votação por correspondência e a ameaça do uso de força contra cidadãos norte-americanos que protestam contra a brutalidade policial, o racismo e a desigualdade social.

Já de acordo com o The Wall Street Journal, Zuckerberg terá dito esta terça-feira, durante uma reunião da empresa, que as publicações de Trump são “profundamente ofensivas”, mas que isso não justifica que empresas privadas interfiram no discurso político.

Mark Zuckerberg está em posição delicada depois de se demarcar da posição assumida pelo diretor-executivo da rede social Twitter, Jack Dorsey, que optou por uma sinalização das publicações de Trump consideradas enganadoras e que mascaram incitamentos à violência.

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Zuckerberg preferiu deixar essas mensagens visíveis, invocando liberdade de expressão e o interesse do público em ser informado.

Internamente, vários funcionários repudiaram a posição do seu chefe, lançando uma greve online na segunda-feira para marcar o seu desacordo com a política que consideram ser muito negligente. Os funcionários pediam ao Facebook o abandono da posição neutral que tem mantido.

Até ao momento, pelo menos dois funcionários, ambos engenheiros de software, demitiram-se.

Timothy J. Aveni anunciou a saída publicamente com uma mensagem publicada no LinkedIn. Já Owen Anderson partilhou no Twitter sentir-se “orgulhoso” por deixar de fazer parte da empresa.